Governo Conservador Cai Após Moção de Censura
O governo da Romênia, liderado pelo conservador Ilie Bolojan, desmoronou nesta terça-feira (5) após uma moção de censura aprovada pelo Parlamento. A iniciativa, impulsionada por uma aliança entre os social-democratas (PSD), o maior partido do país, e forças da direita nacionalista, como a Aliança para a União dos Romenos (AUR), marca o fim de um período de instabilidade e abre caminho para complexas negociações na formação de um novo Executivo.
Crescente Força Nacionalista no Parlamento
A votação da moção de censura revelou o crescente avanço das forças nacionalistas na Romênia. Nas últimas eleições, a AUR emergiu como a segunda maior força política no parlamento, ultrapassando o PSD em algumas pesquisas de intenção de voto. A moção obteve 281 votos a favor, de um total de 288, configurando-se como a mais apoiada desde a redemocratização do país em 1990. A união entre o PSD e a AUR foi vista por analistas como um movimento estratégico que transformou o partido nacionalista em um ator político de peso, saindo do isolamento.
Medidas de Austeridade Desencadeiam Crise
O colapso do governo foi precipitado pela saída do PSD da coalizão governamental, em protesto contra uma série de medidas de ajuste fiscal propostas por Bolojan. Tais medidas incluíam aumentos de impostos e cortes de gastos com o objetivo de reduzir o déficit fiscal, que atingiu 7,9% em 2025, o maior da União Europeia. Os ajustes, que também previam cortes salariais e demissões, geraram forte descontentamento social e uma expressiva queda no apoio aos social-democratas. O PSD acusou o então primeiro-ministro de implementar políticas excessivamente rigorosas, exigindo sua renúncia antes de abandonar o gabinete. Bolojan, por sua vez, defendeu as medidas, argumentando que o recebimento de fundos europeus dependia das ações de ajuste fiscal.
Cenário de Incerteza e Negociações Políticas
Com a queda do governo, a Romênia entra em um período de intensas negociações políticas. Analistas não descartam a formação de uma nova coalizão semelhante à anterior, mas com um novo nome para o cargo de primeiro-ministro, que conte com o aval do PSD. O presidente Nicusor Dan terá um papel crucial na designação do futuro chefe de governo. A imprensa local aponta Catalin Predoiu, atual ministro do Interior interino e membro do conservador Partido Nacional Liberal (PNL), como um possível nome de consenso. A crise política já impactou os mercados, com a desvalorização da moeda nacional, o leu, e o aumento dos custos de financiamento do país.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
