Oposição Lança Plano de Transição com Foco em Eleições Livres
A principal coalizão opositora da Venezuela, a Plataforma Unitária Democrática (PUD), apresentou um plano de transição política que visa a realização de eleições livres e democráticas no país. Dividido em três etapas – estabilização política, recuperação econômica e reconciliação –, o roteiro, apoiado por milhares de ativistas, prevê a convocação do pleito ao final do processo. A líder opositora María Corina Machado, figura chave na articulação, expressou o desejo da sociedade venezuelana de avançar rumo à democracia, mas sem estipular datas concretas para seu retorno ao país ou para a realização das eleições.
Desafios para a Realização de Eleições Legítimas
Para que as eleições sejam consideradas legítimas, a PUD estabelece condições que incluem a formação de um novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) independente, a libertação de presos políticos, o fim das inabilitações de opositores sem devido processo legal, o retorno de exilados e a presença de observadores internacionais. Especialistas apontam que a mudança estrutural no CNE, hoje majoritariamente alinhado ao chavismo, é um pré-requisito fundamental. Além disso, a questão do registro eleitoral para os milhões de venezuelanos no exterior, excluídos de pleitos anteriores, precisa ser resolvida.
Chavismo Evita Prazos e Menciona Diálogo
Do lado do governo chavista, a sinalização sobre a convocação de novas eleições é vaga. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, admitiu a impossibilidade de definir um cronograma exato, mencionando a necessidade de um “diálogo profundo” com a oposição e condicionando o processo eleitoral a um acordo sobre o órgão responsável pelas votações. A ditadora interina Delcy Rodríguez, por sua vez, prometeu eleições “livres e justas”, mas sem prazos, atrelando a realização do pleito ao fim das sanções internacionais e ao que chama de “assédio da imprensa”. Rumores indicam que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), alinhado ao chavismo, pode prorrogar o mandato interino de Delcy Rodríguez, prolongando a indefinição política.
EUA Pedem Paciência e Monitoram Avanços
Os Estados Unidos, que tiveram papel na captura de Nicolás Maduro e agora supervisionam o regime interino, adotam uma postura de cautela. O secretário de Estado Marco Rubio, após reuniões com a oposição, reafirmou a necessidade de eleições “livres e justas”, mas pediu “paciência” a Caracas, evitando pressionar diretamente por prazos. Rubio destacou alguns avanços sob o comando de Delcy Rodríguez, como a libertação de presos políticos e reformas no setor de petróleo e mineração, que são prioridades para a Casa Branca. Analistas ponderam que, embora a pressão americana pudesse acelerar o calendário, a decisão sobre a realização de eleições em um estado soberano não cabe a Washington.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
