Pixar Cancela Animação “Feminina Demais”: O Que Hollywood Esconde Sobre Histórias de Mulheres?

O Fim Prematuro de “Be Fri”

A recente notícia do cancelamento da animação “Be Fri”, da Pixar, tem gerado perplexidade e debate na indústria do entretenimento. O projeto, que estava em desenvolvimento há cerca de três anos sob a batuta da diretora Kristen Lester, conhecida por seu trabalho no curta “Purl”, foi descartado pela Disney no final de 2023, mesmo após quatro grandes reformulações e uma tentativa de reescrever o roteiro às pressas para atender às exigências do estúdio.

A trama de “Be Fri” se inspirava na experiência pessoal de Lester e acompanhava a jornada de duas melhores amigas adolescentes que se reencontravam após descobrir que seu programa de TV favorito, uma série no estilo de “Sailor Moon”, era real. Juntas, elas embarcariam em uma aventura interdimensional para salvar a humanidade. Apesar do esforço da equipe de aproximadamente 50 pessoas, o filme foi cancelado pouco antes de entrar na fase de animação.

“Feminino Demais”: A Justificativa Inaceitável

Fontes internas da Pixar, que preferiram não se identificar, revelaram ao The Hollywood Reporter que a justificativa para o cancelamento foi a de que o projeto era “feminino demais”. Essa alegação surge em um momento delicado para o estúdio, que já enfrentou críticas por sucessos de bilheteria abaixo do esperado, como “Lightyear” (2022), e por edições controversas em filmes, como a remoção de um beijo LGBTQIA+ em “Lightyear” e a reformulação de “Elio” (2025) para retirar tramas relacionadas à comunidade.

O diretor criativo da Pixar, Pete Docter, chegou a afirmar que tais decisões visavam “fazer um filme, não gastar centenas de milhões de dólares em terapia”, uma declaração que gerou ainda mais polêmica. A percepção nos corredores da Pixar, segundo a reportagem, é de que o estúdio tem se preocupado excessivamente com a opinião pública e a busca por sucesso comercial, abandonando a ousadia que o consagrou para priorizar narrativas mais seguras e com maior potencial de bilheteria.

O Silenciamento de Vozes e a Potencialidade Ignorada

O caso de “Be Fri” expõe uma falha recorrente em Hollywood: a relutância em dar destaque a histórias protagonizadas por mulheres. Em vez de abraçar narrativas originais e representativas, muitos grandes estúdios parecem preferir silenciar vozes femininas. Embora a Pixar tenha produzido filmes com protagonistas mulheres, como “Red: Crescer é uma Fera” (2022) e o recente sucesso “Divertida Mente 2” (2024), a frequência e o investimento em tais projetos ainda são limitados.

O sucesso estrondoso de “Divertida Mente 2”, que se tornou a animação mais lucrativa da história do estúdio, demonstra o potencial de mercado de histórias com forte apelo feminino. No entanto, o cancelamento de “Be Fri”, descrito por ex-funcionários como possuidor de uma energia similar ao fenômeno “Guerreiras do K-Pop”, sugere que a indústria ainda hesita em apostar em narrativas que fogem do padrão.

Exemplos de Sucesso que Provam o Potencial

Apesar do cenário desafiador, diversas produções estreladas por mulheres provam o contrário e conquistam o público, aumentando a visibilidade para a voz feminina no entretenimento:

  • Franquia “Jogos Vorazes” (2012-2015): A saga de Katniss Everdeen, interpretada por Jennifer Lawrence, é um marco de força feminina em um universo distópico.
  • “Guerreiras do Kpop” (2025): Animação da Netflix que se tornou um fenômeno, ganhando o Oscar de Melhor Animação em 2026, com sua trama de heroínas que lutam contra forças sobrenaturais.
  • “Barbie” (2023): O filme de Greta Gerwig celebrou o poder feminino e se tornou um fenômeno cultural e de bilheteria.
  • “Frozen: Uma Aventura Congelante” (2013): A Disney provou o sucesso de histórias centradas em personagens femininas com este fenômeno mundial sobre duas irmãs.
  • “As Meninas Superpoderosas” e “Três Espiãs Demais”: Clássicos animados que mantêm sua relevância com protagonistas femininas icônicas.
  • “Frieren e a Jornada para o Além”: Um exemplo de sucesso no universo dos animes, com uma protagonista elfa em uma jornada de autodescoberta.
  • “Red: Crescer é uma Fera” (2022): Outra produção da Pixar que, apesar de ter sido lançada diretamente no streaming, abordou a vivência feminina e a puberdade de forma única.

Esses exemplos reforçam que ignorar ou subestimar histórias protagonizadas por mulheres é um erro estratégico para Hollywood e para estúdios como a Pixar, que perdem a oportunidade de se conectar com um público ávido por representatividade e narrativas originais.

Fonte: canaltech.com.br

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