O Exército dos EUA apresenta a M111, uma granada inovadora que utiliza a força da onda de pressão para neutralizar alvos em espaços confinados.
O Exército dos Estados Unidos está prestes a incorporar uma nova e significativa peça em seu arsenal: a granada M111. Aprovada para produção em larga escala em março, esta arma representa um avanço notável, especialmente para o combate em ambientes fechados, como edifícios e áreas urbanas densas. Diferentemente das granadas tradicionais que lançam estilhaços metálicos, a M111 opera por meio de uma onda de pressão – tecnicamente conhecida como blast overpressure.
Como funciona a tecnologia de onda de pressão?
Ao explodir, o invólucro plástico da M111 se vaporiza completamente. Essa vaporização libera uma onda de choque poderosa que se propaga pelo ambiente, capaz de atravessar paredes, móveis e outros obstáculos internos. Segundo o Exército americano, essa onda comprime e descomprime os tecidos do corpo de forma extrema, podendo causar rupturas nos pulmões, tímpanos e olhos, além de danos cerebrais.
Vantagens no combate urbano e segurança para aliados
A principal vantagem da M111 reside em sua eficácia e segurança em cenários de guerra urbana. Em operações de limpeza de cômodos e corredores, as granadas de fragmentação convencionais apresentam um risco considerável: seus estilhaços, ao ricochetear em superfícies duras como concreto e metal, podem atingir soldados aliados, um fenômeno conhecido como fratricídio. Esse perigo foi documentado em conflitos passados, como no Iraque. A nova granada minimiza drasticamente esse risco ao não produzir estilhaços.
Substituição e complemento ao arsenal existente
A M111 substitui a antiga granada MK3A2, que foi retirada de serviço nos anos 1970 devido ao uso de amianto em sua fabricação, um material cancerígeno. O novo modelo elimina essa preocupação, pois seu invólucro plástico se desintegra sem deixar resíduos tóxicos. No entanto, a popular granada M67, em uso desde 1968 e eficaz em campo aberto devido à dispersão de estilhaços, continuará sendo utilizada em tais circunstâncias. A M111, portanto, atuará como um complemento estratégico, focada em missões em ambientes restritos e fechados.
Desenvolvimento e transição facilitada
O desenvolvimento da M111 foi realizado no Arsenal de Picatinny, em colaboração com o Centro de Armamentos do Comando de Capacidades de Desenvolvimento de Combate do Exército. Para agilizar a adaptação das tropas, a granada foi projetada para utilizar o mesmo processo de armamento de cinco etapas da M67, o que simplifica o treinamento e a transição para o novo equipamento.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
