Quem é Mohammad Ghalibaf?
Mohammad Bagher Ghalibaf, de 64 anos, é uma figura proeminente no cenário político iraniano, atualmente presidente do Parlamento do país. Sua trajetória é marcada por uma carreira militar expressiva, com participação na Guerra Irã-Iraque (1980-1988) e passagens pela Guarda Revolucionária Islâmica e como comandante das Forças Policiais Iranianas. Ghalibaf também serviu como prefeito de Teerã por mais de uma década (2005-2017) e leciona na Universidade de Teerã.
Ele já concorreu à presidência do Irã em três ocasiões, sem sucesso. Em 2024, obteve 14% dos votos, ficando em terceiro lugar. Apesar das derrotas eleitorais, Ghalibaf é considerado por analistas como um indivíduo com considerável influência em diversas esferas do regime iraniano.
O Potencial Parceiro dos EUA
Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou que Washington estaria em negociações com uma “figura importante” do regime iraniano para buscar o fim de conflitos. Embora não haja confirmação oficial, reportagens indicam que Mohammad Ghalibaf seria um dos nomes avaliados por Washington como um potencial parceiro, e até mesmo um futuro líder interino do Irã. A ideia seria que ele pudesse desempenhar um papel semelhante ao de Delcy Rodríguez na Venezuela, atuando como uma liderança menos radical e mais disposta ao diálogo com os EUA, sem promover uma mudança abrupta de regime.
Um Perfil Pragmático com Histórico Controverso
Analistas descrevem Ghalibaf como alguém com um perfil potencialmente mais pragmático e menos ideológico em comparação a outros líderes iranianos. “Ele é quem manda em tudo”, afirmou Hamidreza Azizi, pesquisador do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança, à CNN Internacional, acrescentando que, para Ghalibaf, “os fins justificam os meios”.
Entretanto, o histórico de Ghalibaf levanta preocupações em relação aos direitos humanos. Ele apoiou a repressão a protestos no Irã e, em um áudio de 2013, gabou-se de ter agredido manifestantes durante seu tempo na Guarda Revolucionária. Além disso, sua presença no funeral de líderes do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, em 2024, demonstra seu alinhamento com facções consideradas radicais.
Reações às Declarações de Trump
Na segunda-feira, Ghalibaf negou as declarações de Trump sobre o avanço das negociações. Em sua conta na rede social X, ele escreveu: “Não houve negociações com os EUA, e fake news são usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro em que os EUA e Israel estão presos”. As próximas semanas serão cruciais para determinar a veracidade dessas negociações e o papel que Ghalibaf poderá vir a desempenhar.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
