Peru se prepara para segundo turno presidencial com Keiko Fujimori e Roberto Sánchez como protagonistas.
A corrida presidencial no Peru chega a seu decisivo segundo turno em 7 de junho, apresentando um embate entre a conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez. Os dois candidatos emergiram como os mais votados no primeiro turno, realizado em abril, após um processo eleitoral marcado por atrasos na divulgação dos resultados oficiais. Problemas como a renúncia e prisão de membros do órgão eleitoral, recontagem de atas e auditoria de sistemas digitais postergaram a definição dos finalistas.
Keiko Fujimori: Quarta Tentativa e Legado Político em Xeque
Aos 50 anos, Keiko Fujimori busca a presidência do Peru pela quarta vez, após ter sido derrotada em segundos turnos nas eleições de 2011, 2016 e 2021. Filha e herdeira política do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país de 1990 a 2000 e foi posteriormente condenado por corrupção e violações de direitos humanos, Keiko possui formação em administração de empresas pela Universidade de Boston e MBA pela Universidade de Columbia. Sua carreira política a levou ao Congresso peruano em 2006, onde obteve um número recorde de votos. No entanto, seu percurso também foi marcado por investigações judiciais, incluindo acusações de lavagem de dinheiro em campanhas, que a levaram a quase 18 meses de prisão preventiva entre 2018 e 2020, embora o caso tenha sido posteriormente arquivado. Durante sua campanha atual, Keiko tem defendido uma política de linha dura contra o crime e a expulsão de imigrantes ilegais, prometendo “restaurar a ordem no Peru”.
Roberto Sánchez: Da Psicologia ao Ministério e as Sombras de Castillo
Roberto Sánchez Palomino, de 57 anos, é formado em psicologia pela Universidade Nacional de San Marcos e atua como deputado nacional desde 2021. Presidente do partido de esquerda Juntos pelo Peru, Sánchez serviu como Ministro do Comércio Exterior e Turismo entre 2021 e 2022, durante o controverso mandato do ex-presidente Pedro Castillo, que foi destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado. A trajetória política de Sánchez não está isenta de polêmicas. Ele foi acusado de participar de um esquema para silenciar um ex-assessor de Castillo e de intermediar o pedido de asilo político para a ex-primeira-ministra Betssy Chávez, que busca refúgio na embaixada do México em Lima para evitar prisão por envolvimento na tentativa de golpe. Ademais, denúncias de uso indevido de fundos ministeriais para despesas pessoais e de assessores também pesam contra ele. O Ministério Público solicitou uma pena de cinco anos e quatro meses de prisão para Sánchez por supostas falsas informações sobre doações de campanha, alegações que ele nega. Apesar de tentar se distanciar do golpe de Castillo, Sánchez mantém proximidade com o ex-presidente, a quem visitou na prisão e prometeu libertar caso vença a eleição.
Um Futuro Incerto para o Peru
A definição do sucessor do presidente interino José María Balcázar colocará em jogo visões distintas para o futuro do Peru. De um lado, a continuidade com a força política de uma família tradicional na política peruana; de outro, um representante da esquerda que busca se desvincular das controvérsias de seu partido e de aliados, mas que carrega consigo as marcas de um governo turbulento.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
