O Nascimento de uma Ideia Inovadora
Em 1990, o mercado automotivo brasileiro recebia um veículo que buscava romper com o convencional: a Grancar Futura. Produzida pela Grancar Design, empresa ligada à concessionária Ford Grancar e liderada pelo projetista Toni Bianco, a minivan surgiu seis anos após a Renault Espace, modelo que serviu de inspiração direta. A ideia era trazer para o Brasil a versatilidade e o conceito de minivan que já faziam sucesso na Europa.
Inspiração e Adaptação Nacional
Para desenvolver a Futura, a Grancar importou uma unidade da Renault Espace europeia. A partir dela, foram extraídas as medidas e moldes para a produção nacional. A carroceria, assim como na Espace original, era feita de plástico reforçado com fibra de vidro. Toni Bianco foi o responsável pelas modificações na carroceria, pelo ferramental e pelo chassi, um trabalho que levou cerca de um ano. O conjunto mecânico, no entanto, foi adaptado com peças da linha Ford Del Rey e Belina, utilizando inicialmente o motor AP 1.8 de 98 cv, compartilhado com a Volkswagen, acoplado a um câmbio manual de cinco marchas.
Conforto e Versatilidade no Interior
O interior da Grancar Futura chamava atenção pelo cuidado na montagem e na escolha dos materiais. Os bancos dianteiros possuíam a capacidade de girar, permitindo a criação de um ambiente semelhante a uma sala de estar. O assento central da fileira intermediária podia ser rebatido, funcionando como uma mesa. Todos os assentos eram reclináveis ou removíveis, o que ampliava significativamente a versatilidade de uso e o espaço para carga. Componentes de modelos Ford, como o painel do Del Rey/Belina, o console central e os comandos do ar-condicionado, além de retrovisores e tanque de combustível do Escort, complementavam o pacote.
Desafios de Desempenho e o Impulso do Motor 2.0
Apesar da proposta inovadora, a Grancar Futura enfrentou críticas quanto ao desempenho. Em avaliações de 1991, o motor 1.8 foi considerado insuficiente para os 1.300 kg do veículo, especialmente em situações de carga máxima ou em subidas. A produção, que girava em torno de 18 a 20 unidades mensais, buscou alternativas, como a opção de turbinar o motor 1.8. A solução mais eficaz veio em setembro de 1991, com a introdução do motor 2.0 de 116 cv, que equipou a versão Futura LX. Com essa motorização, o desempenho se aproximou ao da americana Chevrolet Lumina, atingindo 148 km/h de velocidade máxima e acelerando de 0 a 100 km/h em 15,01 segundos.
O Fim de uma Era e o Legado da Futura
Apesar de suas qualidades em aproveitamento de espaço e conforto de suspensão, a Grancar Futura teve uma produção limitada, totalizando 159 unidades. O encerramento da fabricação ocorreu no final de 1991, pressionado pela abertura do mercado brasileiro às importações. A Futura deixou sua marca como a primeira minivan produzida no Brasil, abrindo caminho para futuras inovações no segmento, como a própria Renault Scénic, que chegaria ao país anos depois.
Dados do Teste e Ficha Técnica
Teste QUATRO RODAS – setembro de 1991: Aceleração de 0 a 100 km/h: 15,01 s; Velocidade máxima: 148,8 km/h; Frenagem de 60 km/h a 0: 16,3 m; Consumo médio: 9,12 km/l. Preço em agosto de 1991: CR$ 10,7 milhões (equivalente a R$ 358.334 em valores atuais pelo IGP-M/FGV).
Ficha Técnica – Grancar Futura 1991: Motor: dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 1984 cm³, 116 cv a 5.200 rpm; Câmbio: manual de cinco marchas; Dimensões: comprimento, 436 cm; largura, 177 cm; altura, 166 cm; entreeixos, 258 cm; Peso: 1.290 kg; Suspensão: Independente na dianteira e eixo rígido na traseira; Freios: disco na dianteira e tambor na traseira; Direção: hidráulica; Rodas: aro 14.
Fonte: quatrorodas.abril.com.br
