Nova Doutrina Monroe: Preparação para Ação Unilateral
O governo dos Estados Unidos sinalizou uma postura mais assertiva no combate ao crime organizado na América Latina. Em conferência realizada em Miami, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o país está preparado para lançar uma ofensiva militar contra grupos criminosos na região, inclusive de forma unilateral, se assim considerar necessário. A declaração foi feita durante a conferência “Américas contra os cartéis”, sediada no Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom).
Cooperação Preferencial, Mas Ação Sozinha Não Está Fora de Questão
Hegseth enfatizou que a preferência de Washington é atuar em cooperação com os países latino-americanos. No entanto, ele ressaltou que os EUA não descartam a possibilidade de agir sozinhos caso as circunstâncias exijam. “Os Estados Unidos estão preparados para abordar estas ameaças e ir sozinhos para a ofensiva, se necessário. No entanto, é nossa preferência e é a meta desta conferência que, no interesse da vizinhança, façamos tudo junto com vocês, com nossos vizinhos e aliados”, declarou o secretário.
Justificativas e Ações Recentes dos EUA
A nova abordagem, que alguns integrantes do governo Trump chamam de “Donroe” em referência à Doutrina Monroe, sustenta a possibilidade de ataques militares contra organizações ligadas ao narcotráfico. Hegseth justificou a postura mais agressiva citando o alto impacto das drogas nos Estados Unidos, com mais de um milhão de mortes por overdose de fentanil e cocaína durante o governo Biden, e um crescimento de 2.000% na indústria do tráfico humano, alcançando US$ 13 bilhões em 2022. Desde setembro do ano passado, os EUA já bombardearam 44 embarcações ligadas ao narcotráfico no Pacífico e no Caribe, na operação “Lança do Sul”, que resultou em pelo menos 150 mortes.
Acordo de Cooperação com o Paraguai e Disposição para Agir
A conferência em Miami ocorreu dias após a primeira operação militar conjunta entre Estados Unidos e Equador contra organizações classificadas como narcoterroristas. O comandante Francis Donovan reforçou o recado de que Washington está disposto a agir na região para atacar o crime organizado, declarando: “Somos seu parceiro principal para trabalhar, junto e através de suas nações, para alcançar objetivos compartilhados, mas quando for necessário, não hesitaremos em agir”. Em um desenvolvimento relacionado, o Senado do Paraguai aprovou um acordo com os EUA para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado transnacional, incluindo apoio técnico, tático e treinamento, embora não preveja bases militares permanentes nem cessão de soberania territorial.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
