Estelionato se Torna o Principal Crime Patrimonial do País
O estelionato consolidou-se como o crime patrimonial mais frequente no Brasil em 2025, com um total de 2.261.055 casos registrados. Este número representa um aumento de 3,1% em relação ao ano anterior e equivale a uma média alarmante de 258 golpes por hora em todo o país. O dado, divulgado pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, reforça a tendência de migração da criminalidade para o ambiente digital, especialmente através de fraudes eletrônicas.
Crescimento Contínuo e Impacto na População
Desde 2018, o estelionato tem apresentado um crescimento contínuo, com um aumento de 429,8% até 2025. Segundo o anuário, essa expansão reflete a mudança nas dinâmicas criminosas e a proliferação das fraudes eletrônicas. A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que 15,8% dos brasileiros com 16 anos ou mais foram vítimas de golpes ou perderam dinheiro pela internet ou celular nos 12 meses anteriores, totalizando cerca de 26,3 milhões de pessoas. Além disso, 83,2% da população expressa medo de sofrer tais crimes, demonstrando o impacto direto na percepção de insegurança.
Golpes Cada Vez Mais Organizados e com Apoio de Facções
O perfil do estelionatário também mudou. O anuário aponta que o crime deixou de ser predominantemente obra de indivíduos isolados e passou a ser caracterizado por estruturas organizadas, com divisão de tarefas e metas financeiras, operando de forma semelhante a empresas. Algumas facções criminosas, como o PCC e o CV, têm investido nesse mercado devido ao alto retorno financeiro e ao menor risco de punição em comparação com o tráfico de drogas. Um exemplo recente foi a desarticulação de uma central de golpes em São Paulo que funcionava como um call center clandestino com cerca de 100 funcionários.
Celulares Roubados Amplificam o Alcance das Fraudes
O roubo e furto de celulares, apesar de ter caído 7,7% em 2025, contribui para o aumento das fraudes. A modalidade de furto, que representa seis em cada dez subtrações de aparelhos, facilita o acesso dos criminosos a aplicativos bancários, contas digitais e dados pessoais. As fraudes mais comuns incluem falsos empréstimos, falsas vendas online, golpes de Pix e clonagem de WhatsApp, todas baseadas em engenharia social para enganar as vítimas.
Baixa Taxa de Resolução e Exemplos Internacionais
Um dos pontos mais preocupantes é a baixa taxa de resolução dos casos: apenas 2,8% dos boletins de ocorrência de estelionato em 2025 resultaram na abertura de processos judiciais, e menos de 5.000 pessoas foram presas. Isso sugere que mais de 97% dos casos comunicados não chegam ao Judiciário, o que reduz o risco percebido pelos criminosos. O relatório também destaca modelos de sucesso em outros países, como Singapura, que reduziu casos e perdas com um centro anti-golpes integrado, e o Reino Unido, onde bancos são obrigados a reembolsar vítimas, embora com ressalvas sobre a migração de criminosos para outras fraudes.
Fonte: jovempan.com.br
