Espanha de Pedro Sánchez busca ser ponte entre UE e China, afastando-se dos EUA de Trump

Espanha consolida relações com a China e Xi Jinping reconhece Sánchez como interlocutor privilegiado

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reforçou os laços com a China em sua recente visita a Pequim, onde selou acordos comerciais e foi reconhecido pelo líder chinês, Xi Jinping, como um interlocutor chave entre a China e a União Europeia (UE). Essa aproximação ocorre em um contexto de distanciamento estratégico da Espanha em relação aos Estados Unidos, especialmente sob a administração de Donald Trump.

Sánchez defende China como parceira e critica postura americana

Durante o encontro em Pequim, Xi Jinping elogiou a Espanha por agir com “retidão moral” e declarou que o país está “no lado certo da história”. Sánchez, por sua vez, abraçou o papel de canal de diálogo com a China, defendendo uma relação UE-China baseada em “confiança, diálogo e estabilidade” e advogando por uma “ordem multipolar”. Essa postura contrasta com a visão de Sánchez sobre a “imprevisibilidade” dos Estados Unidos, a quem ele criticou publicamente, especialmente em relação a questões como a meta de gastos com defesa da OTAN e a gestão do conflito no Oriente Médio.

Aproximação com a China como estratégia econômica e diplomática

A China se tornou o principal parceiro comercial da Espanha fora da UE, com um volume de comércio bilateral superior a US$ 55 bilhões em 2025. O governo espanhol vê a China como um aliado estratégico para impulsionar a reindustrialização, atraindo investimentos em setores como energia renovável e infraestrutura. Foram assinados 19 acordos bilaterais, incluindo protocolos para expandir exportações agrícolas espanholas e cooperação em transporte.

Tensões com os EUA e o papel da Espanha na OTAN

A Espanha tem se distanciado dos EUA, sendo o único membro da OTAN a votar contra a exigência de Trump para que os países da aliança destinassem 5% do PIB à defesa. Além disso, Madri recusou o pedido de Washington para o uso de bases militares espanholas em operações contra o Irã. Essas ações geraram críticas de Trump e levantam preocupações sobre a confiabilidade da Espanha como aliada na OTAN, com analistas apontando para o risco de isolamento e perda de cooperação em inteligência.

Espanha busca mediar reaproximação entre UE e China

Sánchez tem buscado posicionar a Espanha como uma ponte para aproximar a UE da China, apresentando Pequim como um parceiro “estável” e “confiável” em contraste com a “imprevisibilidade” dos EUA. No entanto, o bloco europeu, como um todo, mantém uma visão mais cautelosa sobre a China, definindo a relação como uma tríade de parceira, competidora e “rival sistêmica”, devido a desequilíbrios comerciais e tensões tecnológicas. Apesar do peso limitado de Sánchez no bloco, ele lidera um grupo de países do sul da Europa que temem o protecionismo e defendem o diálogo com Pequim para evitar uma guerra comercial.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

By admin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *