Lula revoga visto de assessor de Trump em meio a tensões diplomáticas
A decisão do governo brasileiro de negar a entrada de Darren Beattie, assessor para assuntos do Brasil na gestão de Donald Trump, tem gerado ampla repercussão na imprensa internacional. A medida, comunicada nesta quinta-feira (12) e sexta-feira (13), foi justificada como um ato de reciprocidade após restrições de vistos impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras no ano passado. O presidente Lula afirmou que a decisão está diretamente ligada ao bloqueio de vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de seus familiares, ocorrido durante uma disputa diplomática envolvendo o programa Mais Médicos.
STF nega visita de assessor de Trump a Bolsonaro, citando ingerência
O caso ganhou outra dimensão com a negativa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em autorizar que Beattie visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes argumentou que o encontro não se enquadrava no contexto diplomático informado para a concessão do visto e poderia configurar uma “interferência em assuntos internos do país”. O Ministério das Relações Exteriores endossou essa posição, conforme noticiado pela agência Associated Press (AP).
Itamaraty aponta risco de ingerência política em visita a ex-presidente
A agência britânica Reuters detalhou que o chanceler Mauro Vieira informou ao STF que o pedido de visto de Beattie mencionava participação em um fórum sobre minerais críticos e reuniões com autoridades, mas omitia a intenção de visitar Bolsonaro. O Itamaraty avaliou que a visita de um funcionário estrangeiro a um ex-presidente, especialmente em um ano eleitoral e com o ex-chefe de Estado sob investigação, poderia ser interpretada como uma “ingerência política”.
Relações Brasil-EUA sob escrutínio em meio a episódio diplomático
A Bloomberg destacou que o episódio ocorre em um momento delicado para as relações entre Brasília e Washington, apesar das tentativas de reaproximação entre Lula e Trump. A atuação de Beattie diretamente na política externa americana voltada ao Brasil confere um peso diplomático significativo ao caso, com potencial para gerar novos atritos entre os dois países. O jornal The Guardian também ressaltou que a medida expõe os atritos persistentes entre os governos, mesmo com sinais recentes de melhora no diálogo bilateral.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
