Busca por Passageiros Desembarcados
Autoridades de saúde de diversos países estão empenhadas em localizar e monitorar passageiros que desembarcaram do cruzeiro MV Hondius antes da confirmação de um surto de hantavírus a bordo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou até o momento oito casos ligados à viagem, com três óbitos confirmados. Cinco desses casos foram identificados como hantavírus.
O navio, operado pela Oceanwide Expeditions, transportava 114 passageiros e 61 tripulantes de 22 nacionalidades. Crucialmente, 32 passageiros desembarcaram na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, em 24 de abril, antes que o surto fosse oficialmente comunicado à OMS em 2 de maio.
O Rumo do MV Hondius e a Resistência Espanhola
Após Santa Helena, o MV Hondius seguiu viagem com aproximadamente 146 pessoas a bordo, rumo a Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha. A embarcação deverá passar por avaliações médicas antes de uma eventual repatriação. A Espanha concordou em receber o navio, mas a decisão gerou forte oposição nas Ilhas Canárias, com o presidente regional Fernando Clavijo expressando preocupação pela falta de informações suficientes.
A previsão é que o navio permaneça ancorado na costa, com uma retirada controlada. Passageiros e tripulantes estrangeiros serão repatriados após exames, enquanto 13 passageiros e um tripulante espanhóis serão levados para quarentena em um hospital militar em Madri.
Monitoramento Internacional de Passageiros
A OMS está em contato com pelo menos 12 governos para rastrear indivíduos que estiveram no MV Hondius ou já retornaram para seus países. Entre eles estão Canadá, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, Saint Kitts e Nevis, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. No Reino Unido, quatro dos sete britânicos que desembarcaram em Santa Helena permaneceram na ilha, enquanto outros dois estão em isolamento voluntário na Europa.
Nos Estados Unidos, autoridades de saúde em cinco estados acompanham passageiros que estiveram no cruzeiro, sem registro de sintomas. Na Suíça, um homem que desembarcou em Santa Helena testou positivo para a cepa Andes do hantavírus, com transmissão entre humanos, e está em atendimento em Zurique. Na França, oito cidadãos foram monitorados após contato com uma das vítimas holandesas; um apresentou sintomas leves.
Origem da Infecção e Preocupação com a Cepa Andes
As três mortes confirmadas incluem um casal holandês e uma passageira alemã. A OMS investiga a origem da infecção, com a hipótese de que os primeiros casos tenham ocorrido antes do embarque, possivelmente na América do Sul, durante uma viagem pela região. A presença de roedores contaminados no navio não é descartada.
A cepa Andes é particularmente preocupante por sua capacidade de transmissão entre humanos em certas circunstâncias. No entanto, a OMS assegura que o episódio não representa uma pandemia como a Covid-19, devido à necessidade de contato mais próximo para essa forma de transmissão. O hantavírus é geralmente transmitido por roedores, através da inalação de partículas contaminadas.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
