Crise na Rússia: Popularidade de Putin cai, economia recua e líder se isola em meio a temores

Parada Militar com Menos Símbolos e Líderes

O tradicional desfile militar do Dia da Vitória, realizado em 9 de maio na Praça Vermelha, em Moscou, apresentou uma cena incomum: a ausência de equipamentos militares e a menor presença de líderes estrangeiros em anos recentes. O Ministério da Defesa russo justificou a falta de blindados e armamentos pela “situação operacional atual”, um eufemismo para os crescentes ataques ucranianos com drones em território russo, incluindo a capital. A imprensa internacional também teve o acesso significativamente restrito, com a transmissão focada na mídia estatal. Entre os poucos chefes de estado presentes, destacaram-se o líder de Belarus, Alexander Lukashenko, e o rei da Malásia, sultão Ibrahim Iskandar.

Queda na Aprovação e Desafios Econômicos

A popularidade de Vladimir Putin na Rússia tem apresentado um recuo notável. Pesquisas recentes indicam que o apoio ao governo atingiu o menor patamar desde o início da invasão da Ucrânia. Institutos de pesquisa russos apontam uma queda nos índices de aprovação e um aumento na parcela da população que avalia o regime como “insatisfatório” ou que declara não confiar no líder. Essa diminuição na aprovação ocorre em paralelo a uma economia em recessão, com o Produto Interno Bruto (PIB) apresentando retração. O próprio Putin reconheceu a “situação muito difícil”, citando escassez de mão de obra e entraves tecnológicos. Economistas alertam que as receitas de petróleo e gás, embora em alta, não estão se traduzindo em crescimento real, e que a inflação pode ser significativamente maior do que os números oficiais. Empresas russas e administrações locais também registram prejuízos e déficits orçamentários expressivos.

Controle Digital Gera Insatisfação e Alertas de Crise

Medidas de controle sobre o ambiente digital, como o bloqueio de aplicativos de mensagens populares como WhatsApp e Telegram, e apagões na internet móvel, têm ampliado a insatisfação popular. Essas restrições, que visam direcionar os usuários para aplicativos estatais de fácil monitoramento, provocaram manifestações incomuns e levaram até influenciadores sem histórico político a criticar publicamente as ações do Kremlin. Parlamentares fiéis ao regime também expressaram preocupação com o impacto dessas medidas. Um alerta particularmente notável veio do líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, que advertiu sobre o risco de “repetição de 1917” – referência à revolução russa – caso medidas urgentes não sejam tomadas. Essa declaração expõe tensões internas no sistema político russo, com analistas apontando para um desgaste na autoridade de Putin e sinais de divisão dentro da elite.

Paranoia e Refúgio em Bunkers Reforçados

O cenário de crise, somado à guerra na Ucrânia e aos alertas internos, alimentou um ambiente de paranoia em torno de Vladimir Putin. Relatórios de inteligência indicam um reforço drástico na segurança pessoal do líder e de seus assessores mais próximos, com a instalação de sistemas de vigilância, restrições de mobilidade e a proibição do uso de transporte público para figuras-chave. O número de locais frequentados por Putin foi reduzido, e ele tem evitado visitar instalações militares. Segundo os relatórios, o ditador tem passado semanas em bunkers reforçados, especialmente em Krasnodar, na região do Mar Negro. Essa medida de segurança extrema ocorre após a morte de oficiais russos de alto escalão em ataques atribuídos à Ucrânia, o que o próprio Putin classificou como “falha grave” do aparato de segurança.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

By admin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *