CNI sugere a Alckmin criação de grupo de trabalho para mitigar impacto de tarifas dos EUA na indústria brasileira

Proposta de Nova Missão na Política Industrial

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a sugestão de criar uma nova missão dentro da política Nova Indústria Brasil (NIB). O objetivo é oferecer suporte aos setores industriais brasileiros que serão impactados pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações do país. A proposta foi discutida em um encontro entre o presidente da CNI, Ricardo Alban, Alckmin e o ministro Márcio Rosa.

Impacto das Tarifas Americanas

A medida americana, com previsão de início em 22 de julho, afetará 26,2% das exportações brasileiras para os EUA, totalizando cerca de US$ 11 bilhões em produtos. A CNI defende que essa nova missão seja integrada à NIB por meio de um convênio com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A iniciativa busca elaborar um plano de ação focado em aumentar a competitividade da indústria nacional diante do novo cenário comercial.

Nova Indústria Brasil e a Necessidade de Adaptação

A Nova Indústria Brasil, lançada para suprir a ausência de uma política industrial estruturada, completou dois anos em janeiro de 2026. A política, que se estende até 2033, conta com seis missões voltadas para a modernização industrial, com ênfase em digitalização, transição ecológica e inclusão social, e dispõe de aproximadamente R$ 750 bilhões em linhas de crédito. Ricardo Alban ressaltou a importância de atualizar a política industrial para responder a desafios específicos do Brasil, como o imposto pelos EUA.

Colaboração e Negociações Paralelas

A proposta da CNI prevê a participação de federações estaduais da indústria, associações setoriais, sindicatos e do governo federal na formulação da nova missão. A intenção é reunir medidas de apoio aos segmentos mais prejudicados pela sobretaxa. Alban enfatizou que a iniciativa visa complementar as ações governamentais e que a criação de mecanismos de apoio à indústria deve ocorrer em paralelo às negociações diplomáticas para reverter a decisão americana. Ele destacou a necessidade de uma resposta construtiva, equilibrada e com visão de longo prazo, sem a interferência de questões políticas ou eleitorais.

Contexto da Tarifa Americana

Os Estados Unidos anunciaram a tarifa adicional com base na Seção 301 de sua legislação comercial, após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O USTR concluiu que o Brasil adota práticas comerciais prejudiciais aos interesses americanos em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal. Apesar da aplicação da tarifa, as negociações entre os dois países podem continuar, segundo o chefe do USTR, Jamierson Greer. O governo brasileiro já contestou os fundamentos da medida, argumentando que suas práticas comerciais não causam prejuízos aos EUA e que a decisão representa uma interferência em suas políticas públicas.

Fonte: jovempan.com.br

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