Brasil Descomplica CNH e Reino Unido Mergulha em Crise: Fraudes Milionárias e Filas Gigantes Contrastam com Novas Regras Brasileiras
Enquanto o Reino Unido enfrenta um colapso no sistema de habilitação com exames rigorosos e mercado negro de dublês, o Brasil adota desburocratização radical, extinguindo obrigatoriedade de autoescolas e mudando formato de exames práticos.
O sistema de habilitação para dirigir no Reino Unido entrou em um estado de caos. Considerado um dos mais difíceis do mundo, os exames britânicos geram filas de espera que podem chegar a seis meses. Essa demora e o rigor excessivo abriram espaço para um mercado paralelo de fraudes sofisticadas, onde candidatos chegam a pagar o equivalente a R$ 15.000 para que “dublês” realizem as provas em seu lugar. A situação contrasta drasticamente com as recentes mudanças no Brasil, que visam simplificar e baratear o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
O “Uber” da Fraude no Reino Unido: Desespero Gera Mercado Paralelo
A crise britânica, agravada pelo excesso de burocracia, atingiu níveis dramáticos. Dados da DVSA (agência de padrões de direção do Reino Unido) apontam um aumento de 47% nas tentativas de fraude no último ano. O principal motor para essa escalada é o tempo de espera médio de 22 semanas para agendar um exame prático. A reprovação, que devolve o candidato ao fim da fila, alimenta o desespero e, consequentemente, o crime organizado.
As autoridades britânicas identificaram duas modalidades principais de fraude:
- Falsidade Ideológica Presencial: O método mais caro e arriscado envolve o pagamento de até £ 2.000 (aproximadamente R$ 15.000) para que um profissional ou sósia realize tanto a prova teórica quanto a prática utilizando a identidade do candidato.
- Assistência Remota: Em exames teóricos, foram apreendidos fones de ouvido minúsculos e celulares escondidos, usados para receber respostas de terceiros fora da sala de prova.
A situação já resultou em condenações criminais, com penas de prisão para os envolvidos. Um homem em Birmingham foi condenado após admitir ter realizado exames para 12 candidatos diferentes.
Brasil na Contramão: Simplificação Radical para Aumentar Acesso à CNH
Em contrapartida ao endurecimento europeu, o Brasil optou por uma via de flexibilização total. O objetivo é resolver gargalos históricos, principalmente o alto custo, que afastava milhões de potenciais condutores do sistema. A nova resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) reformulou a estrutura de ensino com medidas drásticas:
- Fim do Monopólio dos CFCs: Não é mais obrigatório se matricular em uma autoescola tradicional.
- Instrutor Autônomo e Carro Próprio: Candidatos podem contratar instrutores credenciados independentes e utilizar seus próprios veículos (ou de familiares) para aulas e exames, desde que atendam às normas de segurança.
- Redução de Carga Horária: A exigência de aulas práticas caiu de 20 para apenas 2 horas obrigatórias, priorizando a competência adquirida pelo aluno.
- Aulas Teóricas Livres: As 45 horas monitoradas foram extintas, permitindo estudo autodidata ou via cursos à distância.
Adeus à Baliza Tradicional e Foco na Realidade do Trânsito
Uma das mudanças mais simbólicas no Brasil é a exclusão da baliza como etapa eliminatória específica do exame prático. O novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV) foca na avaliação do estacionamento em condições reais de trânsito ao final do trajeto, descartando “manobras artificiais dissociadas do contexto viário”.
Os Detrans estaduais poderão adotar formatos mais simples, como estacionamento em ângulo (vagas perpendiculares ou oblíquas), áreas isoladas ou o tradicional paralelo ao meio-fio. A justificativa oficial é que vagas que exigem “significativo planejamento espacial e coordenação motora” são incompatíveis com a avaliação de neófitos. Essa medida já impacta os custos, com o preço da CNH caindo para cerca de R$ 550 em algumas localidades.
Segurança: Foco Divergente entre Habilidade e Controle Químico
A divergência entre os dois países também se reflete nos controles de segurança. No Reino Unido, o foco é na habilidade cognitiva e técnica, com exames que incluem identificação de riscos em vídeos dinâmicos. No Brasil, com a flexibilização do aprendizado técnico, o governo endureceu o controle químico. O exame toxicológico agora é obrigatório para todas as categorias da CNH, incluindo motos e carros na primeira habilitação, tornando-se uma barreira de entrada sanitária com custo entre R$ 90 e R$ 110.
Enquanto o Reino Unido luta contra robôs de agendamento e a falta de examinadores, o Brasil aposta na livre concorrência e no fim da burocracia para facilitar o acesso à CNH, apesar das preocupações de entidades de classe sobre possíveis riscos à formação dos motoristas.
Fonte: quatrorodas.abril.com.br
