Chavismo se distancia de Alex Saab: “Um assunto entre ele e os EUA”, diz Delcy Rodríguez
Regime venezuelano muda discurso sobre aliado de Maduro, agora entregue às autoridades americanas e enfrentando acusações de lavagem de dinheiro.
A ditadura chavista, sob o comando interino de Delcy Rodríguez, tratou nesta segunda-feira (18) a situação de Alex Saab, um antigo aliado próximo de Nicolás Maduro, como um “assunto entre ele e os Estados Unidos”. A declaração representa uma notável mudança de postura em relação ao empresário colombiano, que por anos foi um defendido pelo regime e chegou a ocupar o cargo de ministro da Indústria.
Saab entregue aos EUA: “Decisão soberana” em prol do interesse nacional
Em pronunciamento transmitido pela emissora estatal VTV, Delcy Rodríguez afirmou que a deportação de Saab foi uma “decisão soberana, madura e, claro, pensada exclusivamente em função do interesse nacional, da paz e do desenvolvimento do país”. Ela reiterou que Saab é um “cidadão colombiano” que “prestou serviços à Venezuela”, e que sua situação jurídica agora é “um assunto entre ele e os Estados Unidos”.
Distanciamento de Diosdado Cabello e alegações de fraude
Antes de Delcy Rodríguez, Diosdado Cabello, considerado o “número 2” do chavismo, também buscou se distanciar do empresário. Cabello declarou que Saab “não é venezuelano” e que “não há documento válido que comprove sua nacionalidade venezuelana”. Ele alegou que Saab utilizou documentos falsos e que há investigações sobre “fraudes” contra o Estado venezuelano. Cabello também mencionou que a entrega de Saab aos EUA está amparada pela legislação venezuelana para estrangeiros acusados de crimes como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e crime organizado internacional.
Nova postura contrasta com apoio anterior a Saab
Essa nova postura contrasta fortemente com o apoio que o chavismo, incluindo Cabello e Rodríguez, demonstrou a Saab por anos, apresentando-o como um aliado crucial para o regime. Nos Estados Unidos, Saab enfrenta acusações de lavagem de dinheiro, com promotores americanos alegando seu envolvimento em esquemas de desvio de programas de assistência venezuelanos e movimentação de recursos através de bancos americanos. Ele compareceu a um tribunal em Miami e é alvo de novas investigações, incluindo um caso relacionado a contratos inflados de importação de alimentos.
Contexto da cooperação EUA-Venezuela e possível fonte de informação
A deportação de Saab ocorre em um momento de aparente cooperação entre Washington e Caracas, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em 3 de janeiro. Saab, que já havia sido preso em Cabo Verde em 2020 e extraditado para os EUA, foi libertado em 2023 em uma troca de prisioneiros. Autoridades americanas veem Saab como uma figura que pode possuir informações relevantes para os processos judiciais em andamento contra o ex-ditador venezuelano.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
