Papa Leão XIV alerta jovens contra ‘grande mentira’ que causa ansiedade e depressão em ambiente acadêmico
Em visita à Universidade La Sapienza de Roma, Pontífice critica sistema que reduz pessoas a números e fomenta competitividade predatória, clamando por um ‘sim radical à vida’.
Em uma visita marcante à Universidade La Sapienza de Roma, a maior da Europa, o Papa Leão XIV lançou um alerta contundente contra a “grande mentira” que, segundo ele, tem alimentado a ansiedade e a depressão entre os jovens. Falando na Aula Magna da instituição, o Pontífice denunciou o “mal-estar espiritual” que assola muitos estudantes universitários, ressaltando que a identidade humana transcende a mera soma de bens materiais ou a aleatoriedade de um cosmos indiferente. “Somos um desejo, não um algoritmo!”, exclamou, criticando veementemente um “sistema distorcido que reduz as pessoas a números, aumenta a competitividade e nos abandona a espirais de ansiedade”.
A Chantagem das Expectativas e a Pressão pelo Desempenho
O Papa reconheceu que “para todos há estações difíceis”, mas observou que a percepção de que “elas nunca terminam” tem se intensificado, cada vez mais atrelada à “chantagem das expectativas e à pressão para ter desempenho”. Leão XIV foi recebido pela reitora da universidade, professora Antonella Polimeni, e visitou a exposição “La Sapienza e o Papado”, que explora a conexão histórica e cultural entre a instituição e a Santa Sé. A atmosfera de calorosa recepção contrastou com um episódio de 2008, quando uma visita de Bento XVI foi cancelada devido a controvérsias.
Um Mundo Distorcido por Guerras e Contaminação da Razão
Leão XIV descreveu um mundo “distorcido por guerras e por palavras de guerra”, alertando para uma “contaminação da razão que, do nível geopolítico, invade cada relação social”. Ele defendeu a necessidade de corrigir a “simplificação que cria inimigos”, especialmente no ambiente universitário, através do “cuidado com a complexidade e do exercício sábio da memória”. O Papa também condenou o aumento dos gastos militares, classificando-o como um “rearmamento que aumenta as tensões e a insegurança, empobrece os investimentos em educação e saúde, contradiz a confiança na diplomacia e enriquece elites que não se importam com o bem comum”. Citando dados de 2025, que apontam um recorde nos gastos militares globais, com a Europa respondendo por uma parcela significativa desse aumento, o Pontífice questionou a lógica por trás de tais investimentos.
Apelo aos Jovens e um ‘Sim Radical à Vida’
Diante de um cenário global marcado por conflitos e pelo avanço tecnológico, o Papa Leão XIV fez um apelo direto aos jovens: “Sejam um ‘sim’ radical à vida! Sim à vida inocente, sim à vida jovem, sim à vida dos povos que clamam por paz e justiça.” Ele também abordou a questão ecológica, lamentando que a situação “não parece ter melhorado” apesar de esforços e encorajando os jovens a “transformar a inquietação em profecia”, sem ceder ao desânimo. “Especialmente aqueles que creem sabem que a história não cai irremediavelmente nas mãos da morte, mas é sempre guardada, não importa o que aconteça, por um Deus que cria vida do nada”, afirmou.
O Valor do Ensino e a Busca por um Horizonte de Significado
O Pontífice criticou a “implosão de um paradigma possessivo e consumista” e incentivou os estudantes a buscarem um “horizonte de significado” para além da imediatez. Ele destacou o valor do ensino como uma forma de caridade, comparável a atos de ajuda humanitária, enfatizando a importância de “amar a vida humana, valorizar suas possibilidades, para que se possa falar aos corações dos jovens, não apenas ao seu conhecimento”. Estudantes presentes na universidade expressaram sentimentos de encorajamento e esperança após o discurso, destacando a percepção de que suas vidas e estudos têm um papel ativo na construção de um futuro mais significativo.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br