Fim da isenção fiscal para veículos elétricos desmontados
A isenção de impostos para a importação de veículos elétricos em kits CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) chegou ao fim em 31 de janeiro de 2026. A medida vinha sendo utilizada por montadoras como a BYD para facilitar a entrada de seus produtos no mercado brasileiro, enquanto estruturavam suas operações locais. Com o encerramento do benefício, as alíquotas de importação para esses veículos seguirão um cronograma, podendo atingir até 35%.
BYD minimiza impacto da isenção e aponta para ‘corporativismo’
Em coletiva de imprensa realizada na fábrica da BYD em Camaçari (BA), o vice-presidente sênior da montadora, Alexandre Baldy, declarou que a isenção de impostos para CKD/SKD não representou uma vantagem competitiva decisiva para a empresa. Segundo Baldy, o início da produção por meio de kits desmontados é uma prática comum e necessária em qualquer parte do mundo para novas montadoras. Ele também criticou o que chamou de ‘corporativismo da indústria do Sudeste’, sugerindo que há um movimento para dificultar a industrialização do Nordeste e especificamente da Bahia, com pressões para que investimentos fossem redirecionados para São Paulo.
Anfavea defende o fim do benefício e alerta para consequências
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as montadoras tradicionais, defendeu o encerramento da isenção fiscal. A entidade divulgou um estudo apontando que a substituição da produção completa pela montagem de kits importados poderia levar à eliminação de 69.000 empregos diretos no setor automotivo, além de afetar cerca de 227 mil postos indiretos. As perdas econômicas estimadas para os fabricantes de autopeças chegam a R$ 103 bilhões anuais, com uma redução de R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos e R$ 42 bilhões em exportações de veículos.
Debate centraliza-se entre proteção da indústria nacional e incentivo a novas fábricas
O cerne do debate reside no conflito entre a proteção da indústria automobilística nacional já estabelecida e o incentivo à instalação de novas fábricas, como a da BYD na Bahia. Enquanto a Anfavea argumenta que a isenção beneficia a montagem em alto volume sem exigência de aporte de valor nacional, ameaçando empregos qualificados e a cadeia produtiva local, a BYD vê o regime SKD/CKD como um passo natural e necessário para iniciar operações e, posteriormente, avançar na nacionalização, com mais de 200 fornecedores homologados em processo de desenvolvimento.
Fonte: quatrorodas.abril.com.br
