Rachel de Queiroz: A Primeira Mulher Imortal da Academia Brasileira de Letras e Sua Luta Contra a Exclusão

Um Marco Histórico para as Mulheres Escritoras

A Academia Brasileira de Letras (ABL), fundada em 1897 com o propósito de enaltecer a língua e a literatura do país, manteve por oito décadas suas 40 cadeiras exclusivamente preenchidas por homens. Essa exclusão ignorou por muito tempo o talento e a contribuição de inúmeras escritoras brasileiras. A mudança nesse cenário segregacionista só ocorreu em 1977, quando Rachel de Queiroz foi eleita para a cadeira número 5, tornando-se a primeira mulher a ser reconhecida como “imortal” pela instituição.

A Trajetória de Rachel de Queiroz: De “O Quinze” à ABL

Nascida em Fortaleza, Ceará, em 17 de novembro de 1910, Rachel de Queiroz demonstrou seu talento literário desde cedo. Aos 17 anos, já atuava como jornalista e, antes de completar 20, lançou em 1930 seu aclamado romance de estreia, “O Quinze”. A obra, que retrata a árdua realidade do povo nordestino em meio à seca e à miséria, foi um sucesso de crítica e público, consolidando-se como um dos pilares da segunda fase do Modernismo brasileiro, com seu forte viés regionalista e social.

O Reconhecimento Tardio e a Luta Contra a Exclusão

Apesar do impacto de “O Quinze”, o reconhecimento oficial da ABL para Rachel de Queiroz veio de forma tardia. Em 1958, a escritora foi agraciada com o Prêmio Machado de Assis, em homenagem à sua vasta obra. No entanto, a tão esperada eleição para a Academia só aconteceu em 7 de agosto de 1977, 47 anos após a publicação de seu primeiro livro e 80 anos após a fundação da ABL. Essa demora refletia a resistência histórica da instituição em admitir mulheres, mesmo figuras como Júlia Lopes de Almeida, uma das fundadoras da ABL, que sequer teve sua posse oficial reconhecida.

Um Legado de Abertura e Diversidade

A eleição de Rachel de Queiroz foi um divisor de águas, abrindo as portas da ABL para outras escritoras e intelectuais. Desde então, doze outras mulheres foram eleitas para integrar a Academia, incluindo nomes como Dinah Silveira de Queiroz, Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon, Zélia Gattai, Ana Maria Machado, Cleonice Berardinelli, Rosiska Darcy de Oliveira, Fernanda Montenegro, Lilia Moritz Schwarcz e Ana Maria Gonçalves, esta última sendo a primeira mulher negra a ingressar na ABL em 2025. Ao longo de sua carreira, Rachel de Queiroz não se limitou aos romances, produzindo mais de duas mil crônicas, contos, peças teatrais e obras infantojuvenis, solidificando seu lugar como uma das mais importantes vozes da literatura brasileira.

Fonte: guiadoestudante.abril.com.br

By admin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *