Visita negada pelo Brasil
Um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos negou veementemente que uma missão de funcionários do órgão ao Brasil tivesse como objetivo interferir nas eleições brasileiras. Segundo a fonte oficial, os integrantes do órgão norte-americano realizariam, entre 27 e 30 de julho, diversas reuniões focadas em “discutir a integridade eleitoral e a liberdade religiosa e de expressão”.
“Qualquer insinuação de uma ‘manobra’ para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira infundada. Tratava-se de uma visita de rotina, em conformidade com o mandato legal do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho”, declarou o porta-voz, buscando afastar as suspeitas.
Suspeitas de desinformação sobre urnas eletrônicas
As declarações surgem após informações divulgadas pelo jornal The Washington Post, na sexta-feira (24), indicando que o governo de Donald Trump pretendia enviar dois oficiais ao Brasil com o intuito de lançar dúvidas sobre a lisura e a integridade do sistema eleitoral brasileiro. No mesmo dia em que a notícia veio à tona, o governo brasileiro negou os vistos aos funcionários americanos.
Autoridades brasileiras, que conversaram com o jornal norte-americano sob condição de anonimato, afirmaram que a intenção dos EUA seria elaborar um relatório que pudesse ser utilizado para deslegitimar o sistema de votação eletrônica do Brasil. O Estadão reportou que o Brasil já havia identificado essa intenção em 20 de julho, quando soube da solicitação de vistos pelo Departamento de Estado ao Consulado brasileiro em Washington.
Sinais de alerta e pedido negado
Um sinal de alerta para as autoridades brasileiras teria sido a reunião do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com embaixadores no dia seguinte à solicitação dos vistos, 21 de julho. Na ocasião, ele teria levantado suspeitas sobre as urnas eletrônicas, alegações já refutadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Formalmente, o pedido dos Estados Unidos era para debater “liberdade de expressão relacionada às eleições”. No entanto, as autoridades brasileiras interpretaram a iniciativa como uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral por meio da missão diplomática.
Posição do TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que sua área internacional foi contatada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma visita de integrantes do governo norte-americano. Contudo, o TSE não foi informado sobre a pauta específica da agenda. A reunião não chegou a ser marcada devido ao recesso do Judiciário.
Fonte: jovempan.com.br
