65% das empresas brasileiras não sabem para onde vai o dinheiro da nuvem; desperdício é a palavra de ordem

Diagnóstico alarmante: Falta de visibilidade sobre gastos com nuvem

Uma pesquisa inédita divulgada nesta terça-feira (7) aponta que 65% das empresas brasileiras não possuem clareza sobre os destinos de seus investimentos em computação em nuvem. O estudo, batizado de Radar da Nuvem e realizado pela Samax e Talentum com base em mais de 3 mil dados coletados em 2025, revela um cenário preocupante de desperdício e falta de controle.

Agravando o quadro, 57% das companhias admitem não conseguir prever o valor das faturas de cloud para o mês seguinte. Lúcio Cordeiro, CEO da Samax, atribui o problema à falta de governança: “O time técnico é cobrado por velocidade e performance, não por economia. O resultado é um desperdício de dinheiro absolutamente desnecessário.” O estudo conta com o apoio da Magalu Cloud, plataforma do Magazine Luiza, que vê na iniciativa uma forma de aprofundar o entendimento sobre o comportamento de consumo e reforçar seu compromisso com a previsibilidade de custos.

TI no comando, finanças à margem

A gestão do orçamento de nuvem recai sobre os ombros do gestor de TI em 56% das empresas, e não da área financeira. O relatório destaca que as equipes técnicas acabam tomando decisões de consumo sem os incentivos adequados para otimizar gastos. Cerca de 80% das organizações consideram os custos de cloud uma responsabilidade exclusiva da tecnologia.

Essa centralização tem reflexos diretos: mais de 70% das empresas viram seus custos de nuvem aumentarem em 2024, e quase metade ultrapassou o orçamento planejado. Um terço adicional sequer sabe informar se os gastos ficaram dentro do planejado.

FinOps: Uma prática ainda rara

A prática de FinOps, que foca na gestão financeira colaborativa dos gastos com cloud, é adotada por uma minoria de apenas 19,5% das empresas. As demais 80% tratam a fatura de nuvem como uma conta recorrente e de difícil controle, frequentemente atrelada ao dólar e sujeita a variações cambiais.

Dados da Grand View Research citados no estudo indicam que, dos R$ 324 bilhões gastos anualmente com cloud computing na América Latina, aproximadamente R$ 101 bilhões (31%) poderiam ser alocados de forma mais eficiente. A Statista projeta que os gastos na região crescerão a uma taxa anual de 22%, alcançando R$ 876 bilhões até 2029, o maior ritmo global.

Gastos elevados e expectativas de aumento

A maioria das empresas pesquisadas investe entre R$ 100 mil e R$ 500 mil por ano em nuvem, com os maiores custos concentrados em computação e banco de dados. Mais de 60% dos participantes avaliam que seus gastos com nuvem estão acima do que consideram ideal.

Diante desse cenário, a próxima edição do Radar da Nuvem, em 2026, trará uma mudança metodológica. A pesquisa será dividida em duas trilhas: Finanças (voltada a CFOs e CEOs, com foco em governança e unit economics) e Tecnologia (para CTOs e equipes de DevOps, focada em arquitetura e práticas operacionais), além de um bloco sobre inteligência artificial. O objetivo, segundo Cordeiro, é oferecer um “diagnóstico comparativo real: o que o CFO acha que gasta versus o que o CTO sabe que gasta.” As inscrições para a pesquisa de 2026 estão abertas até 30 de maio no site oficial radardanuvem.com.br.

Fonte: canaltech.com.br

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