Retomada de Diálogos com o Irã em Vista?
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou nesta terça-feira (14) a possibilidade de uma retomada das negociações com o Irã no Paquistão ainda esta semana. Em conversa com o jornal New York Post em Islamabad, Trump declarou que “deveria ficar lá, porque algo pode acontecer nos próximos dois dias”. Inicialmente, o presidente havia considerado pouco provável o retorno das conversas ao Paquistão, mas minutos depois voltou a ligar para afirmar que era “mais provável”, elogiando o trabalho do chefe do Exército paquistanês, Asim Munir. A primeira rodada de conversas, com a presença do vice-presidente J.D. Vance, fracassou no último fim de semana. O Paquistão, através de dois altos funcionários, confirmou à AFP que busca mediar a retomada dos diálogos entre Washington e Teerã. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também apelou por “negociações sérias”, ressaltando a ausência de uma solução militar para a crise.
Israel e Líbano Concordam em Negociações Diretas
Em um desenvolvimento paralelo significativo, Israel e Líbano concordaram em iniciar negociações diretas após uma reunião em Washington. Um porta-voz do Departamento de Estado descreveu as discussões como “produtivas”, com todas as partes concordando em encontrar um momento e local mutuamente aceitáveis para os diálogos. O embaixador israelense em Washington, Yechiel Leiter, afirmou que “todos estamos do mesmo lado” e “unidos” na vontade de “libertar o Líbano” do grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã. A embaixadora libanesa, Nada Hamadeh Moawad, classificou a reunião como “construtiva”, mas reiterou o pedido por um cessar-fogo e pela “plena soberania” do Líbano. Os dois países, tecnicamente em guerra há décadas, foram arrastados para o conflito atual após ataques do Hezbollah em resposta a bombardeios israelenses e americanos contra o Irã. O Hezbollah, no entanto, rejeitou as conversas e lançou foguetes contra o norte de Israel durante a reunião em Washington. As forças israelenses ocupam partes do sul do Líbano e o governo israelense condiciona qualquer cessar-fogo ao desmantelamento do Hezbollah. Autoridades libanesas reportam mais de 2 mil mortos e um milhão de deslocados devido aos ataques israelenses. Ministros das Relações Exteriores de 17 países, incluindo Reino Unido e França, exortaram as partes a aproveitarem a oportunidade para alcançar um acordo de segurança duradouro.
Pressão sobre o Irã e Queda nos Preços do Petróleo
Em meio aos esforços diplomáticos, Trump intensificou a pressão sobre o Irã com o bloqueio de embarcações que transitam pela costa iraniana. Apesar da ação, o Centcom, comando militar americano para o Oriente Médio, informou que nenhum navio cruzou o Estreito de Ormuz, via crucial para o transporte de petróleo. Contudo, dados de monitoramento indicam que alguns barcos que visitaram portos iranianos conseguiram atravessar a passagem. A pressão não impediu a queda nos preços do petróleo: o barril de WTI fechou a 91,28 dólares (queda de 7,87%) e o Brent a 94,76 dólares (recuo de 4,60%). O comando militar iraniano classificou o bloqueio como pirataria e alertou que a segurança de seus portos ameaçada resultaria na insegurança de portos no Golfo e no Mar Arábico. Analistas sugerem que Trump visa privar o Irã de recursos financeiros e pressionar a China, principal comprador de petróleo iraniano, a intervir.
Proposta de “Grande Acordo” e Esforços Diplomáticos Globais
O vice-presidente J.D. Vance revelou que Trump informou ao Irã que os Estados Unidos “fariam o Irã prosperar” caso o país se comprometesse a “não ter uma arma nuclear”. Vance descreveu a oferta como um “grande acordo ao estilo Trump” e afirmou que as negociações continuarão. Paralelamente, os esforços diplomáticos se expandiram com a reunião do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, após Lavrov conversar com seu homólogo iraniano. Rússia e China concordaram em trabalhar juntos para reduzir as tensões no Oriente Médio, com Moscou se oferecendo para gerenciar o urânio enriquecido do Irã como parte de um acordo. Lavrov também indicou que a Rússia pode suprir o déficit energético da China decorrente do conflito na região e que o presidente Vladimir Putin visitará a China no primeiro semestre do ano.
Fonte: jovempan.com.br
