Motivo alegado e sorteio para julgar pedido de CPI
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se suspeito em um processo relacionado às acusações de seu envolvimento com o Banco Master, do qual era relator. A decisão, justificada por “motivo de foro íntimo”, foi comunicada no mesmo dia em que Toffoli foi escolhido, por sorteio virtual, para julgar um mandado de segurança que solicita a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a relação entre o Banco Master e o BRB (Banco Regional de Brasília).
O pedido de CPI foi apresentado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e alegava “omissão inconstitucional” por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, em relação à instalação do colegiado.
Saída da relatoria do caso Master
A polêmica em torno do Banco Master levou Toffoli a deixar a relatoria do caso em 12 de fevereiro. A decisão ocorreu após a Polícia Federal (PF) enviar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório sobre a perícia realizada no celular do dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro. Apesar de Toffoli inicialmente argumentar que não via motivos para se afastar, a pressão dos colegas, que avaliavam um desgaste desnecessário para o Supremo, o levou a ceder.
Menções no celular de Vorcaro e esclarecimentos de Toffoli
A PF encontrou diversas menções a Dias Toffoli no celular de Daniel Vorcaro. A corporação chegou a pedir ao presidente do STF a arguição de suspeição do ministro, mas essa solicitação só pode ser feita pelo Procurador-Geral da República. Segundo o relatório da PF, mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, discutiam pagamentos à Maridt Participações, empresa da qual Toffoli e seus dois irmãos são sócios. O gabinete de Toffoli emitiu nota negando qualquer relação de amizade íntima com o banqueiro e afirmando que jamais recebeu valores dele ou de Zettel.
O Caso Banco Master
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A e outras empresas ligadas ao conglomerado em novembro de 2023, após identificar indícios de irregularidades financeiras e uma grave crise de liquidez. O Will Bank, braço digital do grupo, também teve seu encerramento forçado em janeiro. As investigações apontam que o Banco Master oferecia CDBs com rentabilidade muito acima do mercado, assumindo riscos excessivos e inflando artificialmente seu balanço para sustentar a prática, enquanto a liquidez se deteriorava. Os casos do Banco Master e da gestora Reag, liquidada em janeiro, são considerados os mais graves do sistema financeiro brasileiro, envolvendo fraudes e tensões entre o STF, o Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central e a PF.
Fonte: jovempan.com.br
