Incidentes em Caracas
Agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) da Venezuela tentaram deter três repórteres no último sábado (1º) em Caracas. Os profissionais, que registravam a saída de ônibus da sede do Sebin, local frequentemente denunciado por ativistas de direitos humanos como centro de tortura de presos políticos, foram abordados enquanto fotografavam os veículos. Acredita-se que os ônibus transportavam presos políticos em transferência para outras unidades prisionais do país.
Abordagem e Reação
Segundo relatos, os agentes do Sebin ordenaram que os jornalistas subissem nas motocicletas da agência sem oferecer resistência. Durante a revista de um dos fotógrafos, um dos repórteres entrou em luta corporal com um agente. A intervenção resultou na liberação dos jornalistas, com os agentes do Sebin, posteriormente, pedindo desculpas pela ação, segundo o relato dos profissionais. A revista dos equipamentos, a necessidade de apagar fotos ou a entrega das câmeras não chegaram a ocorrer.
O Sebin e as Denúncias
A sede do Sebin em Caracas é alvo de graves denúncias de violações de direitos humanos. A Missão Internacional Independente da ONU para a Venezuela já documentou casos de tortura e abusos ocorridos no local. O governo venezuelano, por sua vez, nega consistentemente as acusações.
Contexto e Demandas Familiares
A tentativa de detenção ocorreu em um momento de crescente apreensão para os familiares de presos políticos. Na quarta-feira anterior ao incidente, familiares se reuniram em frente à prisão do Sebin para exigir a libertação de seus parentes e informações sobre possíveis transferências. A ONG Justiça, Encontro e Perdão denunciou que a ordem presidencial de fechar o local em janeiro de 2026, convertendo-o em um centro social e esportivo, ainda não havia sido cumprida. O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) relatou que as visitas foram negadas e nenhuma informação sobre transferências foi fornecida aos familiares.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
