Suprema Corte da Finlândia Condena Deputada Cristã por Declarações sobre Homossexualidade

Suprema Corte da Finlândia Condena Deputada Cristã por Declarações sobre Homossexualidade

Päivi Räsänen multada por incitação ao ódio após republicar panfleto religioso de 2004; caso levanta debate sobre liberdade de expressão e convicções religiosas.

Condenação por “Incitação de Ódio”

A deputada finlandesa Päivi Räsänen, do Partido Democrata Cristão, foi condenada nesta semana pela Suprema Corte da Finlândia por “incitação de ódio contra um grupo”. O julgamento se deu após a parlamentar republicar na internet um panfleto religioso de 2004, no qual defendia o casamento entre homem e mulher e descrevia a homossexualidade como um “distúrbio do desenvolvimento psicosexual”. A decisão, tomada por maioria de 3 votos a 2, resultou em uma multa de aproximadamente 1.800 euros (R$ 10,8 mil).

Contexto Legal e Liberdade de Expressão

A condenação de Räsänen baseia-se na legislação finlandesa que criminaliza declarações consideradas ofensivas a grupos minoritários, incluindo aqueles definidos por orientação sexual. A Corte enfatizou que o “crime” não foi a publicação original do texto em 2004, mas sua republicação em 2019 e 2020, já sob a vigência da lei atual. O panfleto, segundo a Suprema Corte, apresentava a “visão cristã sobre família e sexualidade” e continha afirmações que, sob a ótica legal vigente, podem ser interpretadas como “ofensivas contra homossexuais como grupo”.

Absolvição em Outra Acusação e Possível Recurso

No mesmo julgamento, Räsänen foi absolvida por unanimidade de outra acusação relacionada a uma publicação em redes sociais em 2019, na qual citou um versículo bíblico para criticar o apoio da Igreja Luterana à semana do orgulho LGBT em Helsinque. Os juízes consideraram que esta manifestação se manteve dentro dos limites da liberdade de expressão na Finlândia. A deputada expressou surpresa com a decisão e avalia recorrer ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, argumentando que o caso transcende sua situação pessoal e afeta o direito de expressar convicções religiosas publicamente no país.

Reações e Debate Político

A organização jurídica ADF International, que acompanha a defesa de Räsänen, criticou a condenação, alertando para o impacto negativo sobre a liberdade de expressão na Europa. A entidade destacou que Räsänen havia sido absolvida em instâncias inferiores, mas o Ministério Público recorreu. A sentença gerou reações políticas na Finlândia, com membros de partidos conservadores criticando a lei de incitação ao ódio por sua imprecisão e potencial de cercear a liberdade de expressão. O processo teve início em 2019 após denúncias sobre três declarações da deputada, sendo que as instâncias inferiores a haviam absolvido de todas as acusações antes do recurso que levou ao caso à Suprema Corte.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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