Supimpa, Gamar e Viajar na Maionese: 12 Gírias Antigas que Sumiram do Vocabulário Brasileiro

A constante evolução da linguagem e o ciclo das gírias

A língua portuguesa, assim como a sociedade, está em constante transformação. As gírias, expressões informais que surgem em interações sociais, são um dos reflexos mais evidentes dessa mudança. O que era “supimpa” ou “transado” para gerações passadas pode soar como um idioma estrangeiro para os jovens de hoje, assim como termos como “farmar aura” ou “ficar gag” são novidades para seus pais e avós.

As gírias funcionam como marcadores temporais, capturando o espírito de uma época. Palavras e frases que dominam conversas, novelas e círculos de amizade podem, com o tempo, tornar-se obsoletas e estranhas, sendo gradualmente substituídas por novas expressões. Esse ciclo é acelerado pelas redes sociais e pela globalização, que trazem influências e criam novas linguagens em ritmo acelerado.

Desvendando o universo das gírias

Gírias são, essencialmente, criações linguísticas informais e orais, muitas vezes nascidas em grupos sociais específicos. Elas podem surgir de comunidades minoritárias, profissões, ou até mesmo da cultura digital. A efemeridade é uma característica marcante da gíria; muitas sobrevivem por um curto período antes de serem substituídas, garantindo que cada geração tenha seu próprio “dicionário informal”.

12 Gírias que Marcaram Época (e Sumiram)

  • Supimpa: Usada para descrever algo excelente, incrível ou muito bom, especialmente entre os anos 50 e 80. Hoje, soa nostálgico ou irônico.
  • Abacaxi: Sinônimo de problema difícil de resolver, uma situação complicada ou um grande desafio. A metáfora vem da fruta, com sua casca espinhosa.
  • Marcar touca: Significava perder uma oportunidade, vacilar ou “dar mole”, popular entre jovens nos anos 80 e 90. Equivalente a “moscar”.
  • Dar tábua: Era o ato de rejeitar alguém, dispensar ou cortar uma aproximação, especialmente em contextos amorosos. Sinônimo de “levar um fora”.
  • Gamar: O “crush” de antigamente. Estar “gamado” em alguém significava estar apaixonado ou encantado, possivelmente derivado do francês “gamer”. Popular nos anos 70 e 80.
  • Batuta: Usada para qualificar algo como muito bom, bem-feito ou de alta qualidade ao longo do século 20. Transmitia aprovação e satisfação.
  • Patota: O nome dado a um grupo de amigos, uma turma. Embora possa soar antiga, a palavra ainda é compreendida e evoca lembranças de juventude.
  • Bidu: Dito de alguém que acertava um palpite ou parecia adivinhar algo, associado à esperteza nos anos 70. Também remete ao personagem de Mauricio de Sousa.
  • Chato de galocha: Uma pessoa extremamente inconveniente ou insuportável. A origem remete ao uso de galochas sujas dentro de casa antigamente.
  • Viajar na maionese: Desconectar da realidade, imaginar coisas absurdas ou falar sem sentido. A origem é incerta, mas associa “viajar” a “delirar”.
  • Tutu: Uma forma descontraída e informal de se referir a dinheiro, antes da popularização do Pix e cartões.
  • Fogo na roupa: Descrição para alguém muito agitado, inquieto ou que vivia aprontando, como se estivesse em constante movimento.

Assim como essas gírias soam curiosas hoje, é provável que expressões atuais, como “delulu” ou “67”, pareçam estranhas para as futuras gerações. A linguagem é um espelho da cultura, do comportamento e das inovações de cada tempo.

Fonte: guiadoestudante.abril.com.br

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