PSOL recusa federação com PT em 2026 e renova aliança com Rede Sustentabilidade após derrota do grupo de Boulos

PSOL recusa federação com PT em 2026 e renova aliança com Rede Sustentabilidade após derrota do grupo de Boulos

Decisão do diretório nacional do PSOL, com 47 votos contrários e 15 favoráveis, consolida estratégia de manter autonomia e identidade partidária enquanto busca superar a cláusula de barreira.

Oposição interna e legado da dissidência moldam a decisão

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) vetou a proposta de federação com o Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de 2026. A decisão foi tomada em reunião virtual do diretório nacional do partido neste sábado (7), com um placar de 47 votos contrários e 15 favoráveis. A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, destacou a natureza democrática do debate e o respeito às divergências internas. Em contrapartida, o partido optou por renovar a aliança com a Rede Sustentabilidade, consolidando uma parceria considerada estratégica para a superação da cláusula de barreira e a garantia de acesso a recursos e representatividade institucional.

Derrota do grupo de Boulos evidencia tensões internas

A recusa à federação com o PT representa uma derrota para a vertente liderada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Nos últimos tempos, o grupo de Boulos vinha sofrendo baixas em meio a pressões internas para que o partido aceitasse a união com os petistas. A decisão reacende debates sobre a identidade do PSOL e sua relação com o PT, quase 22 anos após a dissidência que deu origem ao próprio PSOL. A corrente Revolução Solidária, de Boulos, defendia a federação como um meio de garantir “unidade política para 2026 e para o futuro”. No entanto, essa defesa provocou reações, com a saída de membros importantes da própria vertente, que criticaram a busca por um “atalho” para aproximar Boulos de Lula, visando projeção futura.

Argumentos contra a federação e a busca pela cláusula de barreira

Diversas correntes do PSOL manifestaram publicamente sua oposição à federação com o PT. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) apresentou argumentos matemáticos e estratégicos, destacando a necessidade de fortalecer as bancadas individuais e a importância de cumprir a cláusula de barreira, que exige um desempenho mínimo nas urnas para garantir acesso ao Fundo Partidário e tempo de propaganda. O líder da sigla na Câmara, Tarcísio Motta (RJ), endossou a posição, defendendo “unidade para reeleger Lula, independência para construir o futuro”. Outros pontos levantados incluem divergências programáticas em temas como meio ambiente e agenda econômica, além de alinhamentos políticos locais, como a oposição ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD).

O futuro da federação e a cláusula de barreira

A cláusula de barreira, que em 2026 exigirá 2,5% dos votos válidos distribuídos em pelo menos nove estados ou a eleição de 13 deputados federais em nove estados, é uma preocupação central para o PSOL. Em 2022, a federação com a Rede Sustentabilidade garantiu a eleição de 14 deputados. Integrantes contrários à federação com o PT reconhecem que o cumprimento da cláusula pode se tornar mais desafiador, especialmente se figuras importantes migrarem para outros partidos. Contudo, avaliam que há potencial de crescimento da votação de parlamentares atuais e a atração de novos nomes de peso para as eleições futuras, mantendo a autonomia e a identidade programática do partido.

Fonte: jovempan.com.br

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