Papa Leão XIV alerta contra a “grande mentira” que adoece jovens e critica gastos militares
Em visita à Universidade La Sapienza de Roma, o Pontífice denunciou a redução de pessoas a números e a escalada da ansiedade, pedindo um “sim radical à vida”.
O papa Leão XIV visitou a Universidade La Sapienza de Roma, a maior da Europa, denunciando a “grande mentira” que, segundo ele, tem gerado ansiedade e depressão entre os jovens. Em seu discurso na Aula Magna, o Pontífice abordou o “mal-estar espiritual” que afeta estudantes universitários, ressaltando que “não somos a soma do que temos, nem matéria aleatoriamente reunida em um cosmos mudo”. Ele enfatizou: “Somos um desejo, não um algoritmo!”.
A “mentira generalizada” e a pressão pelo desempenho
Leão XIV criticou veementemente um “sistema distorcido que reduz as pessoas a números, aumenta a competitividade e nos abandona a espirais de ansiedade”. O Papa reconheceu que “para todos há estações difíceis”, mas alertou que a “chantagem das expectativas e a pressão para ter desempenho” tornam esses períodos mais desafiadores para muitos jovens.
A recepção ao Papa foi calorosa, com estudantes saudando-o com entusiasmo. A atmosfera contrastou com a controvérsia de 2008, quando uma visita planejada do Papa Bento XVI à mesma universidade foi cancelada devido a protestos de um pequeno grupo de professores e estudantes.
Guerra, razão e o aumento dos gastos militares
O Papa também alertou sobre um mundo “distorcido por guerras e por palavras de guerra”, descrevendo uma “contaminação da razão que, do nível geopolítico, invade cada relação social”. Ele defendeu a correção da “simplificação que cria inimigos”, especialmente no ambiente acadêmico, por meio do “cuidado com a complexidade e do exercício sábio da memória”.
Em um momento de forte crítica aos gastos militares, Leão XIV questionou o rearmamento que “aumenta as tensões e a insegurança, empobrece os investimentos em educação e saúde, contradiz a confiança na diplomacia e enriquece elites que não se importam com o bem comum”. Dados recentes indicam um aumento global nos gastos militares, com a Europa registrando um crescimento significativo em investimentos em armas.
Inteligência Artificial e um apelo à vida
O Santo Padre também expressou preocupação com os riscos do uso da inteligência artificial, tanto em contextos militares quanto civis, pedindo vigilância para que seu desenvolvimento não “alivie as decisões humanas de responsabilidade ou piore a tragédia dos conflitos”. Citando conflitos atuais, Leão XIV alertou para a “evolução desumana da relação entre guerra e novas tecnologias em uma espiral de aniquilação”.
Diante deste cenário, o Papa fez um apelo direto aos jovens: “Sejam um ‘sim’ radical à vida! Sim à vida inocente, sim à vida jovem, sim à vida dos povos que clamam por paz e justiça.”
Ecologia, esperança e o valor do ensino
Abordando a questão ecológica, Leão XIV lamentou que a situação “não parece ter melhorado”, apesar de “boas intenções e alguns esforços”. Ele encorajou os jovens a “transformar a inquietação em profecia” e a não ceder ao desânimo, lembrando que “a história não cai irremediavelmente nas mãos da morte, mas é sempre guardada, não importa o que aconteça, por um Deus que cria vida do nada”.
O Papa criticou o “paradigma possessivo e consumista” e incentivou os estudantes a buscar um “horizonte de significado” além da imediatismo. Ele também ressaltou o valor do ensino como uma forma de caridade, fundamental para “falar aos corações dos jovens, não apenas ao seu conhecimento”.
Estudantes ouvidos pela EWTN News descreveram a visita como um momento de encorajamento e esperança, destacando a importância de se sentirem vistos e de terem um papel ativo em seu próprio crescimento.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br