Oscar 2026: O som que assusta e fascina, redefinindo o cinema com silêncio e instrumentos inventados

Oscar 2026: O som que assusta e fascina, redefinindo o cinema com silêncio e instrumentos inventados

Composições inovadoras em ‘Sinners’, ‘Avatar: Fire and Ash’ e ‘Mickey 17’ elevam a trilha sonora de mero acompanhamento a protagonista, explorando o medo, a tensão e a ironia.

O cinema de 2026 está se destacando não apenas pelas imagens, mas por um universo sonoro que vai muito além das melodias tradicionais. As trilhas sonoras indicadas ao Oscar deste ano rompem com o conceito de “papel de parede sonoro”, optando por texturas que incomodam, provocam e até criam mundos inteiros. A batalha nas categorias de Melhor Trilha Sonora Original não é apenas entre compositores, mas entre filosofias que buscam redefinir a experiência cinematográfica.

A opressão sonora de ‘Sinners’

Em ‘Sinners’, a colaboração entre o diretor Ryan Coogler e o compositor Ludwig Göransson atinge um nível quase sobrenatural. Para este filme de vampiros ambientado no sul dos Estados Unidos durante a era Jim Crow, a proposta sonora exigia mais do que sustos. Göransson fugiu dos clichês do terror e mergulhou no que tem sido chamado de “Southern Jug Rock assombrado”. A genialidade reside no subtexto: a fusão de instrumentação de época com uma produção moderna e graves sutis que vibram na sala de cinema antes mesmo da aparição do monstro. A trilha sonora de ‘Sinners’ não acompanha a ação, mas se torna uma presença física, um predador que respira no pescoço do espectador, consolidando Göransson como um forte candidato ao Oscar.

A alquimia sonora de ‘Avatar: Fire and Ash’

Enquanto ‘Sinners’ explora o passado, ‘Avatar: Fire and Ash’ desafia Simon Franglen a criar a sonoridade de um mundo inexistente. Herdeiro do legado de James Horner, Franglen expandiu o vocabulário musical de Pandora para a nova tribo do fogo e das cinzas. O que diferencia este trabalho é o foco artesanal: Franglen inventou novos instrumentos, utilizando materiais queimados e sopros construídos do zero para gerar uma sonoridade “punk” e agressiva, contrastando com a harmonia aquática do filme anterior. Essa “energia suja” confere uma textura orgânica que complementa o CGI, transmitindo o som de uma cultura alienígena em guerra, forjada em elementos brutos e no fôlego humano.

Ironia e subversão em ‘Mickey 17’

Para ‘Mickey 17’, o diretor Bong Joon-ho e o compositor Jung Jae-il apresentam uma surpresa elegante. Ignorando a obviedade de uma trilha eletrônica futurista para um filme de ficção científica sobre clones descartáveis, Jung Jae-il optou pelo neoclássico. A trilha evoca a grandiosidade de compositores como Rachmaninoff, mas com um toque “quebrado”, como se tocada em um vinil riscado. Essa escolha irônica e trágica sublinha a descartabilidade do protagonista, sugerindo que, apesar da tecnologia, a tragédia humana permanece como uma ópera antiga e repetitiva.

A trilha sonora como protagonista

De Jonny Greenwood em ‘One Battle After Another’ à elegância gótica de Alexandre Desplat em ‘Frankenstein’, o Oscar 2026 demonstra que a trilha sonora deixou de ser um mero acompanhamento para se tornar protagonista. Os compositores deste ano não buscam apenas agradar, mas provocar uma gama completa de emoções, transformando o som em uma ferramenta essencial para contar o que a imagem esconde.

Fonte: jovempan.com.br

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