A Virada Inesperada da Academia
O dia 22 de janeiro de 2026 amanheceu com uma surpresa para os fãs de cinema e para a própria Academia. Esqueça os dramas históricos e os biográficos previsíveis; o gênero de terror, antes confinado a nichos ou categorias técnicas, invadiu o palco principal do Oscar. A pergunta que ecoou foi: “Tem algum filme de terror no Oscar?”, e a resposta foi um retumbante sim, com produções como ‘Pecadores’, de Ryan Coogler, e ‘Frankenstein’, de Guillermo del Toro, despontando como favoritas.
O Fim do “Terror Elevado”
Por anos, o termo “terror elevado” (elevated horror) serviu como um escudo para que votantes e críticos pudessem apreciar filmes de horror sem o estigma de serem meros “filmes de susto”. Essa estratégia, no entanto, foi implodida em 2026. ‘Pecadores’, estrelado por Michael B. Jordan, não pede desculpas por ser um filme de vampiros; ele abraça o gênero com força total. Com um recorde de indicações, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção, a obra demonstra que o horror visceral, que mistura folclore, crítica social e tensão, possui o mesmo valor artístico que qualquer drama convencional.
Artesanato e Praticidade: A Estética do Novo Horror no Oscar
Enquanto Coogler trouxe o horror para a realidade contemporânea americana, Guillermo del Toro, com seu ‘Frankenstein’, elevou o monstro à categoria de poesia. O filme, que tem forte presença nas categorias de Design de Produção, Maquiagem e Trilha Sonora, além de uma indicação a Melhor Filme, celebra a tragédia inerente à figura do monstro. Um ponto crucial que une essas produções é a aposta em efeitos práticos em detrimento do CGI. A Academia, composta por profissionais da indústria, reconheceu o imenso esforço técnico e a maestria em criar efeitos tangíveis, seja na maquiagem protética, na iluminação expressionista ou nas atuações físicas exigentes.
Por Que Agora? A Mudança no Corpo de Votantes
A inclusão e diversificação do quadro de votantes da Academia, intensificada após 2016, resultou em uma diminuição da idade média e na chegada de uma nova geração de cinéfilos. Esses novos membros cresceram admirando mestres do terror como John Carpenter e Wes Craven, e entendem o gênero como um espelho das ansiedades contemporâneas. Em um mundo pós-pandêmico, instável e barulhento, filmes que exploram nossos medos mais profundos não são mais vistos como mera fuga, mas como reflexos emocionais da realidade. O Oscar de 2026 marca a queda definitiva da barreira entre “filme de Oscar” e “filme de terror”, celebrando o cinema em sua totalidade. Se ‘Pecadores’ ou ‘Frankenstein’ levarão a estatueta principal, ainda é incerto, mas a vitória do gênero já é um fato histórico.
Fonte: jovempan.com.br
