Operação Terrestre dos EUA no Irã: O QueDonald Trump Considera e Quais os Riscos?

EUA Consideram Ação Terrestre no Irã, Mas Posições Divergem

O governo dos Estados Unidos demonstra posições ambíguas sobre a possibilidade de uma operação militar terrestre no Irã. Embora o presidente Donald Trump tenha mencionado a ideia de ocupar a Ilha de Kharg, por onde transita a maior parte das exportações de petróleo iraniano, outros membros de sua administração expressam cautela. Em entrevista ao Financial Times, Trump declarou que a ocupação de Kharg é uma das “muitas opções”, mas que isso implicaria em uma permanência prolongada na ilha. Por outro lado, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, afirmou que “nenhuma opção” está descartada, enquanto a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ressaltou que o envio de mais 10 mil militares ao Oriente Médio visa dar flexibilidade ao comandante-em-chefe, não indicando uma decisão de invasão. O secretário de Estado, Marco Rubio, por sua vez, acredita que os objetivos americanos podem ser alcançados sem a necessidade de tropas em solo.

Detalhes de uma Possível Operação Terrestre

Fontes do Pentágono, ouvidas pelo Washington Post, sugerem que, caso uma operação terrestre ocorra, ela não seria em larga escala. A estratégia envolveria a combinação de forças de operações especiais e tropas de infantaria convencionais. Os alvos principais seriam a Ilha de Kharg e áreas costeiras próximas ao Estreito de Ormuz, com o objetivo de localizar e destruir armamentos capazes de atingir navios comerciais e militares. A duração estimada para tal ação seria de “semanas a alguns meses”.

Desafios e Limitações do Efetivo Americano

Apesar do envio de reforços, o efetivo militar americano no Oriente Médio, estimado em cerca de 50 mil homens, apresenta limitações para uma operação terrestre de grande envergadura. Aproximadamente 17 mil desses militares são tropas de infantaria. Especialistas como Sandro Teixeira Moita, professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), apontam que isso tornaria qualquer operação terrestre “extremamente limitada”. O coronel da reserva do Exército brasileiro Marco Antonio de Freitas Coutinho reforça essa visão, destacando a disparidade numérica em relação às forças iranianas, que contam com 1,5 milhão de homens e uma capacidade robusta de mísseis e drones.

A Ilha de Kharg: Um Alvo Estratégico e seus Riscos

A Ilha de Kharg, com suas dimensões reduzidas e proximidade da Arábia Saudita, surge como um alvo plausível. Coutinho sugere que paraquedistas, utilizando helicópteros e aeronaves Osprey, poderiam realizar um assalto aeromóvel a partir do litoral saudita, desde que houvesse supremacia aérea. No entanto, especialistas alertam que o maior desafio não seria a ocupação, mas a manutenção do controle. A ilha ficaria exposta a ataques iranianos, que visariam infligir baixas americanas e tornar a presença dos EUA insustentável. Além disso, a tomada de Kharg não garante a reabertura do Estreito de Ormuz, e danos às instalações poderiam causar uma grave disrupção no mercado global de petróleo, aumentando a pressão política sobre Trump, especialmente em um ano eleitoral. Outra possibilidade mencionada é uma operação de forças especiais para a retirada de urânio enriquecido, visando inviabilizar o programa nuclear iraniano, embora essa ação apresente complexidades logísticas significativas.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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