Crise diplomática se instaura após declarações de Javier Milei
O presidente da Argentina, Javier Milei, gerou uma crise diplomática ao acusar o governo brasileiro, sem apresentar provas, de financiar uma campanha “anti-Argentina”. As declarações foram feitas durante entrevista à Rádio Mitre, onde Milei insinuou uma conspiração para prejudicar a imagem de seu país, especialmente em meio à Copa do Mundo e à sua gestão.
As acusações de Milei se estenderam ao México, de Claudia Sheinbaum, e ao Partido Democrata americano, também supostamente envolvidos no financiamento. A fala ocorreu após a participação do presidente argentino em uma convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência.
Governo argentino descarta pedido de desculpas
Apesar da forte reação do Brasil, o governo argentino informou, através do jornal La Nación, que não pretende pedir desculpas pelas declarações de Milei. A decisão, comunicada pelo governo de Buenos Aires, indica que nem o presidente nem o embaixador argentino no Brasil farão retratação. Fontes do governo argentino confirmaram que, mesmo com a convocação do embaixador Daniel Raimondi pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro, não haverá manifestação de desculpas.
Embaixador brasileiro é convocado para consultas
Em resposta às “ofensas proferidas pelo presidente argentino” contra o presidente brasileiro e outras autoridades, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas. A medida diplomática, considerada uma resposta a atitudes hostis, visa demonstrar o descontentamento brasileiro com as declarações de Milei, que foram vistas como um ataque a dois Poderes, ao povo e à democracia do Brasil.
Milei critica Lula e autoridades brasileiras
Durante o evento do PL em São Paulo, Milei criticou duramente o presidente Lula, atacou políticas do governo brasileiro e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “lixo careca”. A crítica a Moraes se deu pela decisão que impediu a visita de Milei a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Milei também voltou a chamar Lula de “ex-presidiário” e criticou o fato de não poder visitar seu “amigo” Bolsonaro, contrastando com a visita de Lula a Cristina Kirchner em julho de 2025.
Fonte: jovempan.com.br
