O ‘Pecado Original’: UWP vs. Win32
No lançamento da Microsoft Store, a gigante de Redmond apostou no formato Universal Windows Platform (UWP), que prometia unificar a experiência de jogos em PCs, Xbox e outros dispositivos. No entanto, essa abordagem entrou em conflito direto com o formato tradicional Win32 (.exe), que já era amplamente utilizado e aceito pela comunidade gamer. O UWP impedia o funcionamento de softwares essenciais como MSI Afterburner e OBS, além de causar problemas de input lag em jogos de tela cheia, prejudicando a performance competitiva. Embora a Microsoft tenha corrigido essas falhas posteriormente, a má primeira impressão marcou a plataforma.
Guerra Contra os Arquivos e a Liberdade do Modding
Um dos maiores entraves da Microsoft Store foi a infame pasta WindowsApps, protegida e criptografada, que impedia o acesso e a modificação dos arquivos de jogos. Essa restrição tornou impossível para os jogadores utilizarem mods, uma prática fundamental para muitos entusiastas de PC, especialmente em títulos de empresas como Bethesda e The Coalition. Em contraste, o Steam sempre ofereceu liberdade total para os usuários acessarem e modificarem os arquivos de seus jogos, permitindo personalizações gráficas, traduções e outras customizações que enriquecem a experiência.
O Pesadelo da Instalação e Arquivos Fantasmas
A experiência de instalação na Microsoft Store também foi marcada por problemas. Falhas de download que deixavam o espaço do disco ocupado, mas sem instalar o jogo, eram recorrentes. A remoção desses arquivos corrompidos frequentemente exigia permissões de sistema complexas, e em alguns casos, a formatação completa do computador. A sensação de não ter controle sobre os próprios arquivos e não conseguir realizar operações básicas de exclusão gerou grande frustração.
Confusão de UX: Xbox App vs. MS Store
A experiência do usuário na Microsoft Store era ainda mais complicada pela integração confusa com o aplicativo Xbox. A compra e a licença do jogo eram gerenciadas pela Store, mas o download era feito exclusivamente pelo app Xbox. Ambos os programas eram pesados e lentos, contrastando com a eficiência do Steam, que centraliza todas as operações. A interface da loja também sofria com buscas imprecisas, frequentemente exibindo resultados irrelevantes para as pesquisas dos usuários.
Um Legado de Desconfiança
Apesar das melhorias implementadas ao longo do Windows 10 e 11, que agora aceitam jogos Win32 e permitem a escolha da pasta de instalação, a confiança da comunidade gamer na Microsoft Store foi quebrada. A tentativa de criar um ecossistema fechado, similar ao da Apple, falhou em conquistar o público de PC, que valoriza a liberdade e a flexibilidade. O Steam, por outro lado, consolidou sua liderança ao oferecer exatamente o que os jogadores buscavam: controle total sobre seus jogos e arquivos.
Fonte: canaltech.com.br
