Lula ameaça expulsar agentes dos EUA no Brasil após saída de delegado da PF de Miami

Tensão diplomática: Brasil cogita expulsar agentes americanos em retaliação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou nesta terça-feira (21) que o Brasil pode expulsar agentes dos Estados Unidos que estejam em serviço no país. A declaração surge como uma resposta à decisão do governo americano de determinar a saída de um delegado da Polícia Federal (PF) que atuava em Miami, nos Estados Unidos.

O delegado Marcelo Ivo de Carvalho foi informado que deveria deixar o território americano sob a alegação de ter supostamente “contornado pedidos formais de extradição e estendido perseguições políticas” em solo norte-americano. A medida pegou de surpresa a Polícia Federal e o governo brasileiro, e a expectativa é que o delegado retorne ao Brasil ainda nesta terça-feira.

“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil. Não tem conversa. […] não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas norte-americanas querem ter em relação ao Brasil”, declarou Lula a jornalistas durante agenda oficial na Alemanha.

Ministério das Relações Exteriores aguarda esclarecimentos

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, adotou um tom mais cauteloso, afirmando que ainda não há confirmação oficial da expulsão e que a medida “não tem fundamento”. Vieira ressaltou que o delegado da PF em Miami trabalha em conjunto com as autoridades americanas, em um acordo baseado em memorando de entendimento entre as duas nações.

“Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas sobre a razão desta medida tomada”, pontuou o ministro, que também mencionou que o delegado atua na identificação de foragidos brasileiros, uma cooperação policial mantida com 34 países.

Polícia Federal reforça cooperação e aguarda comunicação oficial

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou que o delegado está nos Estados Unidos há mais de dois anos em missão de cooperação policial e que a PF aguarda um esclarecimento formal dos EUA para definir os próximos passos.

Rodrigues informou que uma delegada já havia sido nomeada como substituta do delegado em Miami, com a função de oficial de ligação junto ao Immigration and Customs Enforcement (ICE). A missão, inicialmente de dois anos, teve seu mandato prorrogado até agosto deste ano.

Vice-presidente adota cautela e aguarda informações

Em Brasília, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) preferiu uma abordagem mais prudente, afirmando que o governo brasileiro ainda está apurando os fatos para decidir a reação oficial.

“Essa é uma decisão do governo norte-americano, vamos aguardar. […] O Brasil sempre tem a lógica da reciprocidade, mas vamos aguardar”, disse Alckmin, que também ressaltou a falta de informações oficiais sobre a expulsão do delegado da PF.

Entenda a ordem de saída do delegado

A ordem de saída do delegado brasileiro foi divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos EUA. Em comunicado, a autoridade americana acusou um funcionário brasileiro de tentar “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” em território americano, sem citar nomes.

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, diz a nota oficial. A PF brasileira não foi formalmente comunicada sobre a determinação de saída do agente.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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