Israel expressa receio sobre acordos de paz entre EUA e Irã
Fontes israelenses revelaram ao portal americano Axios que o governo de Benjamin Netanyahu está apreensivo com os recentes acordos entre os Estados Unidos e o Irã. A preocupação central reside na possibilidade de que essas negociações acabem fortalecendo a influência iraniana no Líbano, beneficiando diretamente o grupo terrorista Hezbollah.
Legitimação da presença iraniana e restrições militares
Autoridades em Israel avaliam que a inclusão do Líbano nas negociações com Teerã, sob a égide dos EUA, pode ser interpretada como uma legitimação da presença política iraniana no país. Esse cenário, segundo as fontes, poderia reduzir a liberdade de ação militar de Israel contra o Hezbollah em território libanês, limitando suas capacidades de resposta.
Memorando de entendimento e zona de segurança israelense
Um ponto específico que causa apreensão é o memorando de entendimento assinado entre EUA e Irã, que visa encerrar hostilidades, inclusive no Líbano, e respeitar a integridade territorial libanesa. Israel mantém tropas em uma zona de segurança no sul do Líbano, estabelecida após a escalada de conflitos iniciada em outubro de 2023, para combater o Hezbollah. A existência dessa zona, com cerca de 5 a 10 quilômetros dentro do território libanês, visa impedir ataques do grupo, seu rearmamento e proteger comunidades israelenses fronteiriças.
Novo mecanismo de coordenação sem Israel
O Axios informou que EUA e Irã concordaram em criar um novo mecanismo de coordenação para evitar confrontos no Líbano, envolvendo Estados Unidos, Irã, Líbano, Paquistão e Catar. A ausência de Israel como participante direto neste novo arranjo é vista com grande preocupação, pois pode restringir a atuação israelense a casos de ameaça imediata, em contraste com o acordo anterior que permitia ação contra ameaças imediatas e em formação. Há o temor de que os EUA passem a pressionar o governo Netanyahu sempre que Israel desejar atacar posições do Hezbollah.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
