Alerta em Nova York
Os Estados Unidos, em conjunto com França, Reino Unido e outros países aliados, emitiram um grave alerta no Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta terça-feira (9). Segundo as delegações, o Irã acumulou uma quantidade de urânio enriquecido que seria suficiente para a fabricação de uma arma nuclear. O embaixador francês na ONU, Jérôme Bonnafont, representando um grupo que inclui Bahrein, Dinamarca, Grécia, Letônia, Emirados Árabes Unidos e a União Europeia, apresentou dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que indicam que Teerã detém mais de 400 kg de urânio enriquecido.
Falta de justificativa crível
Bonnafont destacou que não há uma explicação plausível para o Irã manter tal volume de material enriquecido, a menos que haja a intenção de desenvolver armas nucleares. O diplomata francês classificou o estoque como “quantidades significativas” de urânio altamente enriquecido, um termo utilizado pela AIEA para descrever materiais que não permitem descartar a possibilidade de fabricação de um artefato nuclear. Este alerta surge em um momento crucial, às vésperas de uma sessão do Conselho de Segurança focada nas sanções impostas ao programa nuclear iraniano.
Acusações de descumprimento e falta de cooperação
O grupo de países ocidentais enfatizou que apenas um acordo “crível, sólido e verificável” pode garantir que o Irã não buscará, adquirirá ou desenvolverá armas nucleares. Bonnafont acusou Teerã de violar repetidamente suas obrigações internacionais e de não cooperar com a AIEA. Uma das principais críticas é a proibição da entrada de inspetores da agência em instalações nucleares iranianas há aproximadamente um ano.
Divergências entre Rússia, China e o Ocidente
Durante a sessão do Conselho de Segurança, Rússia e China expressaram novamente sua oposição à retomada das sanções contra o Irã. Os representantes russo e chinês argumentaram que o órgão não teria mais o mandato para renovar as punições, forçando uma votação sobre a ordem do dia. Moscou e Pequim votaram contra, enquanto o Paquistão se absteve. A disputa centraliza-se no mecanismo de “snapback”, que prevê a reimposição automática de sanções da ONU caso um dos países signatários do acordo nuclear de 2015 denuncie um descumprimento substancial das obrigações por parte do Irã. Em 2025, França, Alemanha e Reino Unido solicitaram a ativação deste mecanismo, citando violações internacionais por parte de Teerã, uma iniciativa que foi contestada por Rússia e China, que buscavam prorrogar a suspensão gradual das sanções.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
