Mobilização Conjunta para Evitar Barreiras Comerciais
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em colaboração com a Amcham e a U.S. Chamber, encaminhou uma carta a representantes do Brasil e dos Estados Unidos com um apelo claro: iniciar negociações que previnam a imposição de possíveis tarifas americanas sobre produtos brasileiros. O documento delineia uma estratégia em duas frentes, visando, em um primeiro momento, proteger as exportações do Brasil e, subsequentemente, consolidar as relações econômicas entre as nações.
Esta articulação do setor produtivo surge em um contexto de sinais de estagnação no diálogo diplomático entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A iniciativa ocorre após uma investigação conduzida por Washington, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que visa apurar práticas comerciais consideradas desleais.
Propostas em Duas Fases: Emergencial e Estrutural
A estratégia apresentada pelas entidades divide as negociações em ações emergenciais e medidas estruturais. A prioridade máxima de curto prazo é a resolução da investigação em curso, com o objetivo de impedir que exportadores brasileiros sejam penalizados por novas barreiras alfandegárias. Para que este processo avance, o setor empresarial sugere o foco em “temas de alto impacto” e que promovam “benefício mútuo” entre os países.
Temas Centrais e Cooperação Regulatória
Entre os pontos centrais da proposta destacam-se a ampliação do acesso a mercados para insumos industriais, bens de capital e tecnologias voltadas para infraestrutura de inteligência artificial, data centers e segurança energética. O plano também prevê um aprofundamento da cooperação regulatória para simplificar procedimentos comerciais em setores como o automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos. Além disso, busca-se apoio para a extensão da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre impostos de importação em transmissões eletrônicas.
Propriedade Intelectual e Minerais Críticos
No âmbito da propriedade intelectual, o setor privado brasileiro solicita maior agilidade no exame e na redução do acúmulo de pedidos de patentes no país, com atenção especial aos segmentos de saúde e biofarmacêutico. Paralelamente, é demandado um combate mais rigoroso à pirataria. Por fim, o documento ressalta a importância fundamental de uma cooperação sólida no setor de minerais críticos, essenciais para diversas cadeias produtivas globais.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
