Forró: A Alma Nordestina Que Embala as Festas Juninas e Conquista o Mundo

Da roça ao Patrimônio Cultural: A jornada do Forró

Fogueiras, bandeirolas coloridas, quentão e o som inconfundível da sanfona que convida para dançar coladinho. A temporada de Festas Juninas está oficialmente aberta, e com ela, o ritmo que é a cara do Brasil: o forró. Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Iphan em 2021, o forró é um verdadeiro “supergênero”, abraçando em suas raízes o xote, o xaxado, o baião e o arrastapé. Atualmente, o ritmo dá mais um passo importante, concorrendo ao título de Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco, um reconhecimento que visa afirmar a identidade cultural brasileira e suas profundas raízes nordestinas no cenário global.

Forrobodó, Forró e a Etimologia de um Ritmo

A história do forró nos leva de volta ao século 19, em bailes populares do Nordeste, especialmente nas áreas rurais, onde festejavam-se as boas colheitas. Eram os “forrobodós” ou “forrobodanças”, festas frequentadas por pessoas de diversas classes sociais, animadas por violão, sanfona e zabumba. O termo “forrobodó” já aparecia na imprensa desde 1833 e significava “baile, sarau chinfrim”. Com o tempo, “forró” emergiu como uma abreviação natural, sinônimo de “forrobodó” já em 1913. A palavra evoluiu para “arrasta-pé” e “festa animada”, consolidando-se como um gênero musical e um estilo de dança característicos, formados pela sanfona, zabumba e triângulo.

Uma teoria alternativa, mas menos aceita por etimólogos e historiadores, sugere que a palavra “forró” teria origem no inglês “for all” (para todos), referindo-se a festas promovidas por uma companhia ferroviária britânica em Pernambuco. No entanto, a versão mais aceita é a que liga o termo aos bailes populares nordestinos.

A Evolução Sonora: De Luiz Gonzaga ao Piseiro

O século 20 foi crucial para a disseminação do forró pelo Brasil, impulsionado pela genialidade de Luiz Gonzaga. O “Rei do Baião” não apenas popularizou o ritmo, mas também o codificou e o recriou a partir de suas memórias sertanejas. Clássicos como “Asa Branca” e “Xote das Meninas” tornaram-se hinos das festas juninas. A fase inicial, conhecida como forró pé-de-serra, floresceu entre os anos 1940 e 1960, traduzindo a cultura campesina, a fé e a saudade do sertão. Nomes como Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino e Dominguinhos também foram fundamentais para consolidar a identidade sertaneja nordestina, especialmente entre os migrantes no Sudeste.

Nas décadas seguintes, o forró se modernizou. Nos anos 70 e 80, flertou com a MPB e o pop rock, incorporando guitarra, baixo e bateria, com artistas como Alceu Valença e Elba Ramalho. Nos anos 90 e 2000, o forró universitário surgiu com narrativas urbanas e românticas, popularizado por Falamansa e Rastapé. Simultaneamente, no Nordeste, o forró eletrônico ganhou força, misturando elementos do sertanejo, axé e lambada, com bandas como Mastruz com Leite e Calcinha Preta.

Mais recentemente, o forró eletrônico deu origem à pisadinha ou piseiro, com batidas aceleradas e influências do tecnobrega, popularizada por João Gomes e Zé Vaqueiro. Paralelamente, um movimento roots resgata o forró pé-de-serra tradicional, valorizando a musicalidade e a dança originais, e promovendo bailes e festivais que celebram esse estilo de vida autêntico, tanto no Brasil quanto na Europa.

As Variações do Ritmo: Baião, Xote, Xaxado e Arrastapé

O forró é um universo de subritmos, cada um com sua cadência e identidade. O baião, mais acelerado que o forró tradicional, tem marcação forte da zabumba e sanfona, com influências do lundu e do coco. O xote, mais lento e romântico, é o “dois pra lá, dois pra cá” que conhecemos, com origens alemãs e forte tempero afro-brasileiro. O xaxado, com passos rápidos e marcados, foi popularizado pelos cangaceiros, incluindo o bando de Lampião. Por fim, o arrastapé, um dos mais animados, é o ritmo que comanda as quadrilhas juninas, convidando todos a arrastar os pés pelo salão.

Fonte: guiadoestudante.abril.com.br

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