FAESP critica mudança nas regras e falta de justificativa técnica
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) manifestou forte repúdio à decisão da União Europeia (UE) de vetar a importação de carnes, mel e subprodutos de origem animal do Brasil. Em nota oficial, o presidente da entidade, Tirso Meirelles, classificou a medida como um “profundo desrespeito” e uma “mudança de regras do jogo de forma casuística”, após 25 anos de negociações entre o Mercosul e o bloco europeu.
A FAESP considera o veto uma “salvaguarda descabida e arbitrária”, argumentando que não há qualquer fundamento técnico ou científico para a restrição. A entidade também aponta para um caráter discriminatório na decisão, uma vez que países concorrentes diretos, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, utilizam métodos semelhantes de manejo e controle sanitário, sem sofrerem restrições.
Sanidade animal brasileira é referência global, afirma FAESP
A federação rechaça as alegações europeias focadas no uso de antibióticos, destacando que a sanidade animal do rebanho brasileiro é “totalmente sem mácula” e reconhecida como referência mundial. A entidade enfatiza que os países citados como exemplos de uso de fitossanitários pelos europeus empregam práticas similares às brasileiras, levantando dúvidas sobre a isonomia da decisão do bloco.
Cobrança por diplomacia comercial mais assertiva
Diante do cenário, a FAESP exige “um pulso mais firme” da diplomacia comercial brasileira. A entidade argumenta que o Brasil, consolidado como um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, não pode aceitar “passivamente ser alvo de retaliações geopolíticas infundadas”.
Apelo por união regional do Mercosul
A nota também apela para que Argentina e Uruguai se unam ao Brasil na construção de um posicionamento regional unificado, capaz de demonstrar a força e o peso político-econômico do Mercosul. “Não permitiremos que nos dividam para nos enfraquecer; o bloco precisa responder à altura dessa afronta”, declarou a FAESP, reforçando a necessidade de impor respeito à soberania e à experiência agropecuária brasileira no cenário internacional.
O veto oficial da União Europeia
A União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar diversos produtos de origem animal. A medida, publicada em regulamento específico, entra em vigor em 3 de setembro e abrange carnes bovinas, de aves e de equídeos, além de mel, tripas e produtos de aquicultura. A decisão é um desdobramento de um alerta emitido em maio, quando o Brasil foi listado entre os países que não cumpriam normas contra o uso excessivo de antibióticos na pecuária, diferentemente de vizinhos que foram validados.
Fonte: jovempan.com.br
