Nova Investigação Americana Mira Produtos Brasileiros
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma nova proposta de tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida surge de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que aponta falhas do Brasil no combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado no mercado americano. O Brasil integra uma lista de 60 países acusados de não aplicar de forma efetiva mecanismos para impedir a importação desses bens.
Contexto de Pressão Comercial dos EUA
Esta é a segunda investigação recente com base na Seção 301 contra o Brasil. Na semana anterior, o USTR já havia proposto uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando que o país adota políticas e práticas que prejudicam o comércio dos Estados Unidos. A nova proposta de 12,5% se soma a essa pressão, visando coibir a entrada de produtos fabricados sob condições desiguais.
Argumentos do USTR e Impacto Potencial
Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, a falha dos parceiros comerciais em combater a importação de bens produzidos com trabalho forçado é “inaceitável”, pois cria uma competição desigual para os trabalhadores americanos. O órgão argumenta que tais produtos chegam ao comércio internacional com custos artificialmente menores, beneficiando empresas que exploram mão de obra barata e prejudicando produtores que seguem regras trabalhistas regulares. Se ambas as tarifas forem aprovadas e aplicadas cumulativamente, exportadores brasileiros podem enfrentar uma carga tarifária superior a 37% sobre parte de seus produtos vendidos aos EUA, afetando setores como manufaturados, bens industriais, químicos, plásticos, autopeças, calçados e têxteis.
Próximos Passos e Reações Políticas
A proposta de tarifa de 12,5% ainda passará por audiência pública em 7 de julho, em Washington, antes de uma decisão final. O Brasil ficou fora do grupo de países que já possuem mecanismos de restrição ou assumiram compromissos formais com os EUA para combater o trabalho forçado. Em meio às discussões, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou uma carta ao secretário de Estado dos EUA pedindo que o governo americano não aplique as novas tarifas. Por outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou Flávio de atuação política e afirmou que as medidas prejudicariam o povo brasileiro, empresários e o agronegócio nacional.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
