Empresário Luso-Americano Preso nos EUA por Enviar Tecnologia Crítica para o Programa Nuclear e Militar do Irã
Autoridades americanas anunciaram a prisão de Jamshid Ghomi, empresário com dupla nacionalidade americana e iraniana, acusado de violar sanções impostas ao Irã. Ghomi é suspeito de ter fornecido equipamentos de tecnologia de origem americana a entidades ligadas aos programas nuclear e militar do regime iraniano.
Fundador de Empresa de Tecnologia em Teerã
Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Ghomi é o fundador e CEO da Faraz Pardaz Rayaneh Co. Ltd., uma empresa de redes de computadores sediada em Teerã. Ele foi detido na Califórnia e enfrenta acusações federais de conspiração para violar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), legislação fundamental para a aplicação das sanções americanas contra o Irã.
Aquisição e Envio Clandestino de Equipamentos
As autoridades americanas alegam que Ghomi adquiriu equipamentos sofisticados de rede, segurança e criptografia, todos de fabricação americana, para clientes iranianos. Entre esses clientes estariam a Organização de Energia Atômica do Irã e outras entidades militares que já são alvo de sanções impostas por Washington. Em depoimento, John A. Eisenberg, procurador-geral adjunto para Segurança Nacional dos EUA, afirmou que Ghomi “enriqueceu fornecendo tecnologia dos EUA à Organização de Energia Atômica do Irã e a outras entidades sancionadas responsáveis pelo programa nuclear iraniano”.
Métodos de Contorno das Sanções
O Departamento de Justiça detalhou que, por mais de uma década, Ghomi utilizou sua empresa em Teerã para comprar equipamentos americanos sem a devida autorização do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA. Entre 2011 e 2015, Ghomi teria realizado mais de 400 compras de equipamentos de rede através de plataformas como eBay e PayPal. Os produtos eram enviados a intermediários nos Emirados Árabes Unidos antes de serem remetidos ao Irã. Adicionalmente, entre 2014 e 2018, o empresário é acusado de organizar o envio de mais de 250 toneladas de equipamentos de rede para o Irã, utilizando empresas de fachada e agentes de transporte em Dubai para ocultar o destino final da mercadoria.
Conexões com o Programa Nuclear e Militar Iraniano
A acusação aponta que Ghomi tinha conhecimento da ilegalidade de suas operações e tomou medidas para dissimular sua participação. A empresa Faraz Pardaz Rayaneh, com vendas anuais estimadas em mais de US$ 10 milhões, atendia centenas de empresas e entidades governamentais iranianas, muitas delas sob sanções americanas. Uma parcela dessas vendas, considerada relevante pelas autoridades, teria sido destinada ao aparato nuclear e militar do regime. Especificamente, entre 2017 e 2023, a empresa teria fornecido equipamentos americanos à Organização de Energia Atômica do Irã, incluindo itens relacionados a centrífugas e enriquecimento de urânio. Além disso, entre 2014 e 2022, a empresa teria fornecido equipamentos ao Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas do Irã e a entidades militares associadas.
Lavagem de Dinheiro e Busca por Confisco de Bens
Ghomi também é acusado de lavar mais de US$ 15 milhões provenientes do Irã para contas bancárias nos Estados Unidos e para uma conta utilizada na construção de uma mansão em Newport Beach, Califórnia. Ele teria falsamente declarado esses recursos ao Fisco americano como herança estrangeira. Os procuradores americanos planejam buscar o confisco dos bens do empresário, incluindo a mansão avaliada em US$ 35 milhões, parte da qual teria sido financiada com recursos provenientes das violações de sanções. Ghomi aguarda julgamento na Justiça Federal dos EUA e, se condenado, pode enfrentar uma pena máxima de 20 anos de prisão.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
