Economistas Veem Lições no Ajuste Fiscal Argentino, Apesar de Críticas do Governo Brasileiro

Críticas ao Modelo Argentino Ignoram Tendências Econômicas, Dizem Analistas

Apesar das críticas do ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao presidente argentino Javier Milei, comparando indicadores econômicos negativos do país vizinho com os do Brasil, analistas econômicos apontam que essa visão estática omite a trajetória de melhora que a Argentina tem apresentado. Segundo economistas ouvidos pela reportagem, o Brasil teria mais a aprender com o modelo argentino do que o contrário, especialmente no que diz respeito ao ajuste fiscal.

Argentina Apresenta Superávit Primário e Redução da Dívida Pública

Marcos Vinícius Oliveira, economista da ZIIN Investimentos, ressalta que a Argentina herdou uma inflação anual superior a 200% e uma dívida pública de 156% do PIB do governo anterior. Sob a gestão de Milei, a inflação mensal caiu para cerca de 2%, e a dívida pública reduziu para 78,4% do PIB. O país registrou o primeiro superávit primário em 14 anos, com projeções de continuidade para os próximos anos. Em contraste, o Brasil apresentou déficits primários em 2024 e 2025, e a dívida bruta atingiu o maior nível em cinco anos.

Corte de Gastos Públicos como Pilar do Ajuste Fiscal Argentino

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, destaca que, embora a Argentina enfrente desafios sociais, poucos governos conseguiram realizar um ajuste fiscal tão profundo em tão pouco tempo. A estratégia argentina de cortar gastos públicos, que resultou em uma redução de 27% no gasto primário em termos reais em 2024, é vista como mais estrutural e confiável pelo mercado do que o ajuste pela receita, modelo que o Brasil tem adotado com aumento de arrecadação.

Princípios Fundamentais do Ajuste Fiscal: Lições para o Brasil

Para os analistas, a Argentina oferece lições importantes para o Brasil, como a âncora fiscal e o compromisso com superávits mensuráveis, com foco no ajuste de despesas. A principal diferença reside na qualidade do crescimento: enquanto o Brasil busca crescer distribuindo gastos, a Argentina foca em distribuir confiança, o que, segundo os economistas, tende a gerar menor inflação, maiores investimentos e um crescimento mais sustentável a longo prazo.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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