O Rock se Reinventa em “Rádio Love Nacional”
O Detonautas, veterana banda do rock brasileiro, lança seu nono álbum de estúdio, Rádio Love Nacional, marcando uma fase de renovação e maturidade. Com 11 faixas, o disco foge do pop-rock tradicional, incorporando elementos de trap, eletrônica e até brega, sob a produção de Pablo Bispo e Ruxell. O vocalista Tico Santa Cruz explica que a banda desenvolveu uma forma orgânica de traduzir a música alheia para sua própria linguagem.
A sonoridade ampliada é fruto de parcerias que, segundo Santa Cruz, trouxeram frescor ao trabalho. O álbum transita entre faixas densas e leves, com letras maduras que mesclam referências culturais e geográficas. Uma participação especial de Milton Cunha na faixa “Vampira” adiciona um toque lúdico e nacional.
Renovação de Público e o Desafio da Nostalgia
Formada em 1997, o Detonautas passou por diversas mudanças em sua formação, o que, para Tico Santa Cruz, contribuiu para a oxigenação do grupo e a manutenção de sua relevância. Ele destaca a dificuldade do rock em se misturar com outros gêneros, mas celebra a ousadia do Detonautas em incorporar influências consideradas “bregas”.
A banda também mira a renovação de seu público, buscando ir além dos virais em redes sociais. O show no Rock in Rio, dividindo palco com o Foo Fighters, será uma oportunidade para apresentar hits consagrados e novas canções. Santa Cruz reconhece o período de nostalgia no mercado musical, mas afirma que a missão do Detonautas é introduzir novidades e dialogar com as novas gerações sem se prender apenas ao passado.
O Tempo como Maior Riqueza
Nos últimos cinco anos, o Detonautas lançou três discos, incluindo Álbum Laranja (2021), Esperança (2022) e o EP DVersões (2023). A produção de Rádio Love Nacional foi impulsionada pela gravadora e pela colaboração com Pablo Bispo e Ruxell, que, como fã da banda, trouxe uma sintonia especial ao processo criativo.
Tico Santa Cruz expressa que a banda conquistou o bem mais precioso: o tempo. Ele afirma que não há mais a necessidade de lançar álbuns constantemente, podendo escolher o momento em que o trabalho será relevante. Para o vocalista, a liberdade de não precisar mais gerar conteúdo apenas por obrigação é o auge da riqueza, permitindo que a banda se concentre em criar música com significado e impacto.
Fonte: jovempan.com.br
