Forças Armadas em Alerta Máximo
O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, declarou em entrevista à emissora americana NBC News que as forças armadas cubanas estão se preparando ativamente para a possibilidade de uma agressão militar por parte dos Estados Unidos. “Nossas forças armadas sempre estão preparadas e, de fato, nestes dias estão se preparando para a possibilidade de uma agressão militar”, afirmou o oficial, embora ressaltando que a probabilidade de tal evento é considerada distante pelo governo cubano. Ele acrescentou que seria “ingênuo” não se precaver diante das ameaças.
Sem Justificativa para Ataque
Fernández de Cossío enfatizou que o regime cubano não vê qualquer justificativa para uma ação militar contra a ilha, descrevendo Cuba como um país pacífico que não representa ameaça alguma para os Estados Unidos. A declaração surge em um contexto de tensões elevadas entre os dois países, que se intensificaram após o alerta do presidente americano Donald Trump e do secretário de Estado Marco Rubio em janeiro, sugerindo que Cuba poderia ser o próximo alvo de intervenção militar.
Aperto do Cerco Americano
As ameaças de Trump foram renovadas recentemente, com declarações sobre a possibilidade de “tomar a ilha caribenha”. Paralelamente, o governo Trump tem condicionado as negociações com Cuba à saída do poder do ditador Miguel Díaz-Canel, uma exigência considerada inaceitável por Havana. O vice-ministro cubano rejeitou a ideia, afirmando que a estrutura e os membros do governo de Cuba não são objeto de negociação para nenhum país soberano.
Crise Energética Agravada por Sanções
Em janeiro, Trump assinou uma ordem executiva que impõe tarifas a países que fornecem petróleo a Cuba, visando agravar a crise energética na ilha, já afetada pela redução no envio de combustível venezuelano. Essa política tem resultado em apagões generalizados em Cuba. “Os EUA estão ameaçando com medidas coercitivas países que possam exportar combustível para Cuba, e essa é a razão pela qual Cuba não recebe combustível há muito tempo”, explicou Fernández de Cossío. Ele expressou a esperança de que o fornecimento de combustível seja normalizado e que o boicote americano não perdure.
Diálogo e Proteção
Apesar do cenário de confronto, o vice-ministro reiterou que Cuba não possui conflitos com os EUA e está aberta ao diálogo e a uma relação respeitosa. “Temos a necessidade e o direito de nos proteger, mas estamos dispostos a nos sentar para dialogar. Estamos abertos a fazer negócios e a manter uma relação respeitosa que, estou certo, a maioria dos americanos apoiaria”, concluiu.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
