Pressão americana e crise energética impulsionam mudanças em Havana
Diante de um cenário econômico desafiador e sob forte pressão do governo dos Estados Unidos, o regime comunista de Cuba anunciou a aprovação de um pacote com 176 reformas econômicas. A iniciativa, considerada a mais abrangente dos últimos 15 anos, recebeu o aval do Comitê Central do Partido Comunista e foi ratificada pela Assembleia Nacional em um curto espaço de tempo. As medidas visam transformar a economia da ilha, que enfrenta uma das piores crises de sua história recente.
Ampliação do setor privado e atração de investimentos estrangeiros no foco
O conjunto de reformas inclui a expansão do papel do setor privado na economia cubana, além de incentivos para atrair investimento estrangeiro. Empresas estatais e municípios também ganharão maior autonomia, com alterações planejadas nos setores de turismo, agricultura, comércio exterior e mercado imobiliário. Essas mudanças representam uma das maiores tentativas de reestruturação econômica desde o início do governo de Raúl Castro.
Líder cubano admite “horas mais difíceis” e defende “mudança profunda”
Em um discurso no Parlamento, o ditador Miguel Díaz-Canel reconheceu a gravidade da situação, afirmando que Cuba vive “as horas mais difíceis deste século”. Ele defendeu a necessidade de “mudar tudo o que precisa ser mudado” para superar a crise. A intensificação da pressão americana nos últimos seis meses, com restrições significativas à entrada de petróleo e derivados, agravou a escassez de combustível e os frequentes apagões que assolam o país.
Crise energética atinge níveis históricos e reformas buscam estabilizar sistema
A crise energética em Cuba atingiu patamares alarmantes, com algumas regiões recebendo apenas duas horas de eletricidade a cada três dias. Estimativas indicam que até 69% do país pode ficar sem energia simultaneamente nos horários de pico. As reformas aprovadas também visam corrigir distorções no sistema monetário, que opera com duas moedas e taxas de câmbio oficiais distintas, além de um mercado informal predominante. Mudanças no sistema tributário e a substituição de subsídios universais por programas direcionados aos mais vulneráveis também estão previstas.
Havana nega imposição externa e foca em “decisão soberana”
Apesar da pressão exercida por Washington, Díaz-Canel reiterou que as reformas são uma “decisão soberana” de Cuba para solucionar seus problemas internos e modernizar a economia, negando qualquer imposição externa. O regime cubano já formou um grupo de especialistas, incluindo economistas críticos, para estudar futuras implementações de novas mudanças econômicas nos próximos meses.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
