Brasil Implementa Isenção e Subvenção para Diesel em Meio a Pressões Econômicas
A disparada do preço do petróleo, impulsionada por tensões no Oriente Médio, tem forçado governos ao redor do mundo a buscarem soluções emergenciais. No Brasil, o governo Lula anunciou a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel e uma subvenção de R$ 0,32 por litro, além de prometer fiscalização contra aumentos abusivos nos postos. A pressão por zerar o ICMS sobre o diesel importado e a ameaça de greve dos caminhoneiros adicionam complexidade à gestão da crise no país.
América do Sul: Dilemas Fiscais e Intervenções Graduais
Na Argentina, apesar da alta de 13% nos combustíveis, o governo Milei tem evitado intervenção direta, apostando em possíveis benefícios para exportações. Já o Chile, com seu Mecanismo de Estabilização de Preços dos Combustíveis (Mepco), busca equilibrar o subsídio estatal com o custo fiscal para evitar repasses abruptos aos consumidores. No Equador, o preço da gasolina atinge níveis recordes, com o governo limitando aumentos a 5% mensais, o que resulta em elevação gradual e contínua. Peru e Uruguai monitoram a situação, com o Peru ainda sem mecanismos de contenção e o Uruguai lidando com alta carga tributária sobre o combustível.
Estados Unidos e Canadá: Reservas Estratégicas e Debate sobre Impostos
Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina e do diesel atingiu máximas recentes, levando o governo a considerar o uso de reservas estratégicas de petróleo e a flexibilização de sanções ao petróleo iraniano. O Canadá, apesar de exportador, também sente a pressão global, com debates focados em possíveis cortes de impostos sobre combustíveis para aliviar o consumidor final.
Ásia e Europa em Alerta: De Racionamento a Limites de Preço
A Ásia, altamente dependente do petróleo do Oriente Médio, enfrenta medidas severas. Filipinas reduziram a jornada de trabalho e o uso de energia pública. China proibiu exportação de combustíveis refinados e reforçou o abastecimento interno. Japão retomou subsídios e liberou reservas estratégicas. Vietnã incentiva trabalho remoto e usa fundos de estabilização. Tailândia congelou o diesel e pediu redução do uso de ar-condicionado. Índia subsidia alta de combustíveis, mas lida com inflação. Paquistão cortou uso de combustível oficial e incentivou trabalho remoto, com reservas limitadas. Bangladesh fechou universidades e militarizou instalações de combustível. Sri Lanka implementou racionamento. Na Europa, a Alemanha e a Áustria discutem limites de reajustes em postos, enquanto a Hungria estabeleceu teto de preço para veículos locais. A União Europeia discute medidas emergenciais e o Reino Unido investiga possíveis abusos de preços.
Análise e Perspectivas: Risco de Crise de Oferta
Especialistas apontam que ataques a infraestruturas energéticas e a restrição do fluxo pelo Estreito de Ormuz reduziram drasticamente a oferta global de energia, pressionando preços. Se o conflito no Oriente Médio se prolongar e o fluxo pelo estreito não for normalizado, o cenário pode evoluir de uma crise de preços para uma crise de oferta ainda mais acentuada em diversas regiões do globo.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
