Investigação em Duas Frentes
O Congresso dos Estados Unidos iniciou uma investigação sobre diversas organizações não governamentais (ONGs) de esquerda que podem estar servindo como veículos de influência para o Partido Comunista da China (PCCh) em território americano. A apuração ocorre em duas frentes paralelas: comitês da Câmara dos Deputados investigam a chamada “Rede Singham”, enquanto um relatório do Departamento de Estado detalha campanhas de manipulação e interferência estrangeira na informação dos EUA.
Relatório do Departamento de Estado Revela Táticas Chinesas
Um relatório intitulado “Combate à Manipulação e Interferência Estrangeira na Informação” aponta que a China utiliza uma gama de atores, incluindo diplomatas, mídia estatal, influenciadores digitais e ONGs, para disseminar mensagens pró-regime e expandir sua influência política globalmente e nos EUA. O documento cita especificamente a Code Pink e o People’s Forum como organizações que teriam “promovido conteúdos e mobilizações alinhadas a posições defendidas por Pequim”. A subsecretária de Estado, Sarah Rogers, declarou que essas ONGs “denigrem os Estados Unidos, branqueiam a violência de regimes marxistas e protegem a China enquanto recebem recursos de uma rede de doadores com conexões ao Partido Comunista Chinês”.
Perfil das ONGs Sob Investigação
A Code Pink, fundada em 2002, autodenomina-se feminista e anti-guerra, conhecida por seus protestos contra intervenções militares dos EUA. Recentemente, a organização lançou a campanha “A China Não é Nossa Inimiga” e, segundo o relatório, tem promovido viagens à China, seminários com avaliações positivas da revolução comunista e divulgado conteúdos favoráveis ao regime. Já o People’s Forum, fundado em 2018, descreve-se como um “centro de formação política marxista e anti-imperialista”. Este grupo estuda e promove a Revolução Chinesa como um modelo, além de organizar atos em defesa de regimes aliados a Pequim, como manifestações pró-Nicolás Maduro.
A “Rede Singham” e o Financiamento Suspeito
Paralelamente ao relatório governamental, comitês da Câmara investigam a “Rede Singham”, um conjunto de organizações progressistas supostamente financiadas pelo empresário americano Neville Roy Singham, que reside em Xangai. Investigações apontam Singham como alguém com ligações próximas ao PCCh, levantando suspeitas de que os fundos direcionados a essas entidades estariam financiando uma rede de influência a serviço de Pequim nos EUA. Testemunhos indicam que Singham teria investido pelo menos US$ 100 milhões, utilizando empresas de fachada e fundos de doação para ocultar a origem do dinheiro. A investigação busca determinar se a Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA) deve ser aplicada a essas organizações, o que exigiria a divulgação de suas fontes de financiamento e atividades.
Propaganda Chinesa em Diversas Plataformas
A disseminação de narrativas favoráveis à China nos EUA não se limita às ONGs investigadas. Uma investigação da revista Newsweek revelou uma rede de 43 domínios e 37 subdomínios que se passavam por grandes veículos de imprensa, como The New York Times e The Guardian, para inserir conteúdo alinhado à mídia estatal chinesa. Essas páginas utilizavam a identidade visual de jornais legítimos para aparentar credibilidade, enquanto promoviam a propaganda do PCCh. A investigação identificou conexões técnicas com empresas chinesas previamente associadas a campanhas digitais de promoção do regime, com parte do conteúdo sendo amplificado por operações de perfis falsos e publicações coordenadas.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
