China e Rússia: Os Olhos Secretos do Irã na Guerra que Moldam o Poder Global

A guerra em curso no Oriente Médio, atualmente em um cessar-fogo temporário, expõe uma complexa rede de apoio tecnológico que permitiu ao Irã direcionar seus ataques contra forças americanas e israelenses. Revelações baseadas em documentos vazados e fontes da inteligência ocidental indicam que China e Rússia desempenharam papéis cruciais como os “olhos” do Irã, fornecendo imagens de satélite em tempo real e informações de inteligência vitais.

Satélites Chineses Ampliam a Precisão Iraniana

Uma reportagem do jornal britânico Financial Times, baseada em documentos militares iranianos vazados, detalha como a Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) utilizou o satélite espião chinês TEE-01B para realizar reconhecimento de precisão. Adquirido em 2024 da empresa chinesa Earth Eye Co, o satélite, que custou cerca de US$ 36,6 milhões, permitiu ao Irã ampliar significativamente sua capacidade de vigilância e direcionamento militar. O TEE-01B, capaz de identificar objetos de aproximadamente 50 centímetros, ofereceu uma precisão dez vezes superior aos satélites militares iranianos anteriores, sendo essencial para monitorar e verificar o sucesso de ataques contra alvos como a Base Aérea Prince Sultan na Arábia Saudita e a Base Aérea de Muwaffaq Salti na Jordânia.

A cooperação chinesa, no entanto, não se limitou a este satélite. Investigação da emissora australiana ABC, citando uma fonte da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, revelou que a empresa chinesa MizarVision divulgou abertamente em redes sociais imagens de satélite aprimoradas por inteligência artificial, contendo dados detalhados sobre bases militares americanas, aeronaves, sistemas de defesa aérea e ativos navais no Oriente Médio. A MizarVision, que possui participação acionária do regime chinês, teria fornecido material utilizado pela Guarda Revolucionária para priorizar alvos de mísseis e drones, colocando em risco a vida de americanos e seus aliados.

Rússia: Inteligência Estratégica e Lições da Ucrânia

Enquanto a China forneceu a “visão” de alta resolução, a Rússia contribuiu com inteligência estratégica e operacional. Desde fevereiro, o jornal The Wall Street Journal reporta um aumento no compartilhamento de inteligência e cooperação militar entre Moscou e Teerã, incluindo imagens de satélite e tecnologia avançada de drones. Imagens provenientes da frota russa detalharam a localização e os movimentos de tropas americanas, ativos regionais e posições navais. Uma investigação da inteligência ucraniana apontou que satélites russos realizaram pelo menos 24 varreduras de instalações militares e locais críticos em 11 países do Oriente Médio entre 21 e 31 de março.

Além das imagens, Moscou compartilhou com Teerã as “lições” aprendidas na invasão da Ucrânia, oferecendo orientações táticas sobre operações com drones. O secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, foi informado de que operadores de drones iranianos estavam adotando táticas russas de forma “definitiva”. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou ter tentado alertar os EUA sobre essa colaboração, mas que suas evidências foram ignoradas.

China Considera Envio de Armas e Radar Avançado

Em abril, fontes da inteligência dos EUA indicaram que a China considerava enviar ao Irã novos sistemas portáteis de defesa antiaérea (MANPADs) e sistemas avançados de radar X-band, que ampliariam significativamente a capacidade iraniana de detectar drones e mísseis. No entanto, um porta-voz da embaixada chinesa em Washington negou as alegações, afirmando que a China “nunca forneceu armas a nenhuma parte neste conflito”.

Negações Oficiais e Ceticismo Internacional

Tanto Moscou quanto Pequim negam veementemente qualquer colaboração militar com o Irã. A China classificou os relatos como “difamações infundadas”, enquanto o Kremlin negou o compartilhamento de inteligência. Contudo, analistas e fontes de inteligência ocidental expressam ceticismo em relação a essas negativas, sugerindo que a complexa rede de apoio tecnológico e de inteligência entre esses regimes está redefinindo o equilíbrio de poder global.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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