Chile sob Kast: Muro na fronteira e choque liberal marcam início de mandato conservador

Fronteira Norte Reforçada com Tecnologia

O recém-empossado presidente do Chile, José Antonio Kast, iniciou seu governo com ações concretas em duas frentes prioritárias: a segurança na fronteira norte e uma reforma econômica de cunho liberal. Em 16 de março, Kast lançou o Plano Escudo Fronteiriço em Arica, cidade que faz divisa com o Peru. A iniciativa prevê a construção de um sistema de muros e cercas com 5 metros de altura e trincheiras de 3 metros de profundidade em áreas de intenso fluxo migratório. Embora a extensão total ainda não tenha sido definida, estima-se que cerca de 500 km da fronteira de mil quilômetros com Peru e Bolívia sejam protegidos.

O plano vai além das barreiras físicas, incorporando tecnologia avançada para otimizar o uso de recursos humanos. Torres de vigilância, radares térmicos e drones autônomos equipados com câmeras de reconhecimento facial, infravermelhas e térmicas operarão continuamente. O general reformado Cristián Vial, idealizador do projeto, destacou que a tecnologia é fundamental para a detecção imediata de atividades suspeitas, liberando o efetivo humano para outras funções.

Projeto de Reconstrução Nacional: Choque Liberal na Economia

Kast, conhecido por sua admiração à política econômica liberal do regime de Augusto Pinochet, também apresentou um ambicioso plano de reformas econômicas. O ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, submeteu ao Congresso o Projeto de Reconstrução Nacional. A proposta visa reduzir a burocracia e simplificar processos de licenciamento para estimular investimentos. Uma das medidas centrais é a redução da alíquota do imposto de renda para médias e grandes empresas, de 27% para 23%, alinhando o Chile com a média da OCDE.

O governo busca que projetos privados sejam retomados rapidamente, baseando-se na recuperação da confiança e no respeito ao arcabouço legal. Adicionalmente, o pacote econômico inclui um subsídio macroeconômico, livre de burocracia, para auxiliar empregadores no pagamento de contribuições previdenciárias de trabalhadores formais. Para o setor imobiliário, está prevista a isenção do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em imóveis residenciais por um ano, facilitando o acesso à moradia, além de isenções para a primeira casa própria de idosos.

Corte de Gastos e Desafios Fiscais

Paralelamente às medidas de estímulo, Kast planeja um corte de gastos públicos de US$ 6 bilhões anuais, sem, contudo, eliminar benefícios sociais. A economia seria obtida através de três frentes: combate à corrupção, aumento da eficiência na gestão pública e austeridade fiscal. A estimativa do governo é que o combate a fraudes gere US$ 1 bilhão, a eficiência administrativa outros US$ 1 bilhão, e a austeridade, mais US$ 1 bilhão.

No entanto, o cenário fiscal chileno apresenta desafios. Um relatório recente da agência Fitch apontou que o país, sob a gestão anterior de Gabriel Boric, encerrou 2025 com um déficit estrutural de 3,6% do PIB, superando a meta estabelecida. O déficit fiscal corrente atingiu 2,8% do PIB. A Fitch adverte que os planos de Kast para estabilizar as finanças públicas podem ser complicados pelo déficit orçamentário mais elevado que o esperado e pela recente alta nos preços do petróleo.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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