Primeiras Horas de Trégua Marcadas por Acusações Mútuas
O cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, mediado pelo Paquistão, entrou em vigor sob um clima de extrema tensão e incerteza. Em menos de 24 horas, agências iranianas ligadas ao regime denunciaram violações do acordo e apresentaram interpretações divergentes sobre a inclusão do Líbano, alvo de um ataque israelense significativo nas últimas horas, na trégua. Especulações sobre o rompimento total do pacto já circulam em alguns veículos de comunicação.
Ataques e Contratáques: O Estreito de Ormuz no Centro da Crise
Em resposta aos ataques israelenses no Líbano, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte de petróleo e peça central nas negociações com os EUA. Anteriormente, o país já havia reportado ataques a alvos estratégicos em seu território, incluindo um bombardeio à refinaria da Ilha de Lavan, que causou um incêndio pontual sem afetar o fornecimento de combustível, e a derrubada de um drone Hermes 900 na cidade de Lar pela Guarda Revolucionária, classificada como uma “incursão inimiga intolerável”. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que Washington deve escolher entre o cessar-fogo e a continuidade da guerra através de Israel.
EUA Intensificam Pressão e Ameaçam com Tarifas
Os Estados Unidos reagiram às primeiras horas do cessar-fogo com medidas de pressão. O presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas de 50% a qualquer país que forneça armas ao Irã. Adicionalmente, o secretário de Guerra Pete Hegseth defendeu que o Irã deveria entregar “voluntariamente” todo o seu material nuclear estocado para viabilizar as negociações, sob a ameaça de retomada das operações militares. Apesar de o Pentágono afirmar que o Estreito de Ormuz permanece “aberto”, o Irã anunciou a interrupção do tráfego de petroleiros em protesto aos ataques israelenses no Líbano. Trump, por sua vez, afirmou em entrevista à PBS que o Líbano não foi incluído no cessar-fogo devido às ações do Hezbollah.
Países da Região e o Papel da China na Mediação
Diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Kuwait, relataram ter sido alvos de novos ataques iranianos com mísseis e drones, visando infraestruturas críticas como usinas de energia e instalações de dessalinização. O Kuwait especificamente reportou um ataque à sua empresa petrolífera. O Paquistão, país mediador das negociações, confirmou as primeiras violações do cessar-fogo em vários pontos da “zona de conflito”. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, apelou firmemente por moderação e respeito ao acordo para que a diplomacia possa prevalecer, destacando o papel fundamental da China na aplicação do cessar-fogo. Diplomatas dos países envolvidos devem se reunir em breve em Islamabad para apresentar suas condições para um acordo mais amplo de fim de guerra.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br
